Página:Obras poeticas de Claudio Manoel da Costa (Glauceste Saturnio) - Tomo II.djvu/241

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Tem por despojos a seus pés caídas
Púrpuras rotas, destroçadas vidas
De Reis, de Imperadores; vem cercada
Da Traição e do Engano, e disfarçada
Entre estes monstros com fingido rosto
A Hipocrisia tem seu trono posto.

Este ídolo cruel, que se autoriza
Mais entre os outros, porque estraga e pisa
Com mudo pé dos Grandes as moradas,
Tendo a seu lado as Fúrias convocadas,
E entrando em parte já co'a Rebeldia,
Ao Nume do Interesse assim dizia:

Sei que vacila o teu arrojo, e vejo
Que muito além do natural desejo
Vão correndo as cansadas diligências,
Com que até aqui no esforço das violências
Quisemos impedir a triste entrada
Deste Herói, que nos traz ameaçada
Toda a ruína de uma longa idéia.
Se talvez sombra vã não lisonjeia
Meus altos pensamentos, eu discorro
Que a mim me toca só dar o socorro
Ao decadente impulso desta empresa.
Não sei de que triunfo na certeza
Eu me prometo um dia a segurança
De uma eterna, pacífica bonança.
Se passou Albuquerque, e tem rompido
Ao centro destas Minas, destruído
Eu verei de uma vez o seu projeto.
Tomo a meu cargo simular o aspecto
De uma rendida sujeição, levando
Na lisonja encoberto o insulto, e quando
Ele acredite mais nossa obediência,