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OS BRUZUNDANGAS
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não guarde mais aquelle encanto de phrase simples e miagens familiares das anonymas narrações das collectividades humanas.

Na versão dos populares da curiosa republica, o conto se intitula — O GENERAL E O DIABO — havendo uma variante sob a alcunha de — O PADRE E O DIABO. Como não tivesse de cór nem as palavras da versão mais geral, nem as da variante, aproveitei o thema, alguma cousa do corpo da «historia» e narro-a aqui, certamente muito desfigurada, sob a chrisma de:

 
S. Ex.ª
 

O Ministro saiu do banquete, embarcando logo no carro. Desde duas horas estivera a sonhar com aquelle momento. Anceiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as attitudes e os pasmos olhares dos circumstantes. Por isso, entrára no «coupé» apressado, um tanto avoado, soffrego, sem mesmo reparar se de facto era o seu.

Vinha absorvido e tangido por uma chusma de sentimentos attinentes a si mesmo que quasi lhe falavam a um tempo na consciencia: orgulho, força, valor, satisfação propria, etc, etc.

Não havia um negativo, não havia n’elle uma duvida: todo elle estava embriagado de certeza do seu valôr intrinseco, das suas qualidades extraordinarias e excepcionaes de conductor de povos. A respeitosa attitude de todos e a deferencia universal com que o cercavam, reaffirmadas tão eloquentemente n’aquelle banquete, eram nada mais, nada menos, que o signal certo da convicção dos povos de ser elle o resumo do paiz, vendo nelle o solucionador das suas difficuldades presentes e o agente efficaz do seu futuro e constante progresso.