Página:Poesias eroticas, burlescas e satyricas.djvu/37

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nocturna
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O pentelho mui denso, escuro, e liso;
Coxas pyramidaes, pernas roliças,
O pé pequeno... Oh céos! Como é formosa!
Já mettidos na cama em nivea hollanda,
Erguido o membro té tocar no umbigo,
Qual Amadis de Gaula entrei na briga:
Pentelho com pentelho ambos unidos,
Presa a voz na garganta, ardente fogo
Exhalavamos ambos; Nise bella
Ou fosse natural, ou fosse d′arte,
O peito levantado, anciosa, afflicta,
Tremia, soluçava, e os olhos bellos
Semi-mortos erguia: a côr do rosto
Pouco a pouco murchava; era tão forte,
Tão activo o prazer, que ella sentia,
Que, cingindo-me os rins c′os alvos braços,
Tanto a si me prendia, que por vezes
O movimento do cu me embaraçava:
Co′as alvas pernas me apertava as coxas,
Titilava-lhe o cono, e reclinada
Quasi sem tino a languida cabeça,
Chamando-me seu bem, sua alma e vida,
Faz-me ternas meiguices, brandos mimos;
Fervidos beijos, mutuamente dados,
Anhelantes suspiros se exhalavam:
Era tudo ternura; e em breve espaço
Ao som de queixas mil, com que intentava
Mostrar-me Nise um damno irreparavel.
Me senti quasi morto em todo o corpo:
Uma viva emoção senti gostosa

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