dos maxillipedes externos apparecem cedo. Depois apparecem as patas sobre quatro segmentos do corpo mediano; e estas são bi-ramosas nos tres segmentos anteriores e simples, por deficiencia do ramo interno, 110 quarto segmento.
As chelas se desenvolvem nos ramos internos; os ramos externos se perdem antes que o ramo interno tenha feito a sua aparição sobre o quarto segamento. (fig.32)

Este ultimo ainda se torna destituido de appendices, de modo que, n'este caso e n'um periodo primitivo, 4 e em outro ulterior 3 segmentos do corpo mediano, supportam membros. O quinto segmento está ainda completamente ausente emquanto que todos os segmentos abdominaes tambem adquiriram membros e estes, um após outro, de diante para traz. O animal adulto, como transparece pelos tres pares de chelas, será certamente muito proximo alliado das especies precedentes [1].
A larva mais joven ao genero Schizopode Euphasia, observada por Claus. fica muito perto da mais nova Zoea dos nossos camarões; mas, emquanto as suas antennas anteriores já são bi-ramosas, e, por isso, parecem mais adiantadas, faltam ainda os maxillipedes medianos. N'ella Claus achou tambem o coração provido de um unico par de fendas. Não procederá á Zoea, tambem neste caso, o estado Nauplius?
A historia evolutiva de Mysis, cuja estreita relação com os camarões foi ha pouco tempo geralmente reconhecida, foi descripta em seus detalhes por Van Beneden. Pelo que eu tenho verificado só posso confirmar as suas asserções.
O desenvolvimento do embryão começa com a formação da cauda! Esta apparece como um lobo simples, cuja superficie dorsal está virada e estreitamente applicada á do embryão. (Os filhotes de outros crustaceos podophthalmos são, como é bem sabido, curvados, no ovo, de tal modo que a superficie ventral das ametades anterior e posterior do corpo, fica virada sobre si, — n'estes, por isto, a superficie dorsal e em Mysis a ventral, apparecem convexas). A cauda adquire logo a forma furcada com a qual travámos conhecimentos com as Zoeas dos camarões por ultimo descriptas. Então apparecem dous pares de apendices espessamente ensiformes, no extremo opposto do corpo; e atraz d'elles, um par de tuberculos que podem ser facilmente omittidos. Estes são as antennas e mandibulas. A membrana do ovo então rompe-se antes que qualquer orgão interno ou mesmo tecido, exepto as cellulas do revestimento cutaneo, esteja formado. O joven animal póde ser chamado um Napuplius; pois essencialmente nada existe ahi além de uma rude copia de um revestimento de Nauplius, quasi, semelhante á uma nova membrana de ovo, dentro da qual se desenvolve a Mysis. Os dez pares de appendices do corpo anterior (maxillas, maxillipedes) e mediano, apparecem simultaneamente, como os cinco pares de patas abdominaes em periodo ulterior. Logo depois a joven Mysis expelle o envolucro Nauplius e abandona o sacco ovigero materno [2].
Por algum tempo, devido à importancia.
indebita attribuida á falta de uma cavidade
branchial particular, Mysis, Lencifer e Phyllosoma
foram referidos aos Stomatopodes,
agora limitados, como originariamente por
Latreille, ao Camarão-Louva-Deus (Squilla)
ao Camarão-Vidro (Erichthus) e mais proximos
parentes. Da historia evolutiva d'estes,
até agora apenas conhecemos fragmentos isolados.
Torna-se difficil traçar o desenvolvimento
desde o ovo, pela circumstancia de que
taes camarões não trazem os ovos postos
sobre o corpo, como os Decapodes, porém
depositam-n'os sob a forma de delgadas
placas redondas e amarellas, nas passagens
subterraneas que lhes servem de habitação. A
ninhada, é, por conseguinte extraordinariamente
dificil de ser procurada e, infelizmente
ella se corrompe ein um dia, quando removidas
do seu logar natural de postura, emquanto
que, ao contrario, o progresso de desenvolvimento
póde ser seguido por semanas
- ↑ As mais desenvolvidas larvas observadas (fig. 33) são caracterisadas pelo comprimento extraordinario dos flagellos das antennas externas e, neste particular, se assemelham ás larvas de Sergestes encontradas por Claus perto de Messina (Zeitschr. für Wissenschaft Zool. Bd. XIII est 27, fig. 14) Este comprimento (texto ilegível) das antennas conduz á supposição de que ella pertence ao nosso camarão mais commum, que é frequentemente servido nas nossas mesas e muito estreitamente alliado á Peneus setiferus, de Florida. O Acanthosoma de Claus (l. c. fig. 13) é semelhante à mais nova forma de Mysis da larva que eu figurei nos "Archif. f. Naturg" 1836, est 2, fig. 18 e que eu estou inclinado á referir á Sicyonia carinata. (Segundo Carlos Moreira, a autoridade brasileira no assumpto, Peneus setiferus vai até os estados meridionaes do Brasil, o que torna verossimil a supposição de Fritz Muller — Vide Crustaceos do Brasil — Arch. do Museu XI, 7 e 72, Cryptus.)
- ↑ Van Beneden, que encara as pedunculos oculares como membros, não pôde comtudo evitar a declaração seguinte sobre Mysis: "Este pediculo não apparece de modo algum como os outros appendices e parece ter um outro valor morphologico".