Ir para o conteúdo

Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/180

Wikisource, a biblioteca livre
170
SUSPIROS POETICOS

Com desusada força ora palpita,   E monótono sôa,Como sôa o martello sobre a incude.

Temem os olhos de se abrir ás trevas,E de ver coroado o amphitheatroDe alvas sombras de mortos, e de espectros,Que para mais terror me pinta a mente.
Vôa, suspiro meu, vôa, não tardes;Nuncio vai ser do estado em que me deixas.O caminho te indico; aos ares sóbe;Deixa de Roma os solitarios campos.Esta terra de sangue, e de cadaveres.E ás praias chega da querida Patria,Tão longes praias! — Quem me dera eu vel-as!
   Mas no longo trajectoVai por mim os logares visitando,Por onde eu já passei triste e saudoso.Oh! quão gratas me são reminiscencias!   D’ellas compõe-se a vida,Os prazeres são ellas da velhice.