Página:Yayá Garcia.djvu/298

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Jorge recebeu-a pressurosamente e abriu-a; leu estas palavras únicas: — "Não posso ser sua mulher; esqueça-me e seja feliz". Empalideceu; tornou a ler a carta, sem a entender, posto que ela não fosse mais do que a fórmula escrita e seca do que Iaiá lhe dissera na véspera. Mas entre as queixas e efusões de uma hora de desânimo e aquela intimação, havia um abismo; a carta trazia o cunho da solução definitiva, que ele não achara ou não quisera achar nas declarações verbais da moça.

— Iaiá deu-lhe isto agora mesmo?

— Antes do almoço, respondeu o Sr. Antunes, cujo olhar forcejava por soletrar no rosto de Jorge algumas linhas do drama que supunha haver lá dentro.

— Não lhe parece que Iaiá anda triste? perguntou Jorge no fim de um minuto.

— A morte do pai prostrou-a muito.

Jorge foi dali ao gabinete; o Sr. Antunes acompanhou-o. A preocupação do moço era uma chuva benéfica às esperanças do pai de Estela, que todas pareciam reflorir. Como este falasse da filha com a prolixidade astuta do pretendente, Jorge atentou numa idéia, que a princípio lhe pareceu absurda, mas com a qual se familiarizou