Pacotilha poetica/Que partido deve ter em politica

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Pacotilha poetica
Que partido deve ter em politica


SENHORAS

2 Um; ser util á patria,
  Bons filhos á patria dando,
  Seus deveres, seus direitos
  Té no berço lhe mostrando.

3 Já fostes republicana
  E também caramurú,
  Agora vivei na tóca,
  Que é partido do tatú.

4 Eu vos aconselho aqui
  Um que é muito natural,
  Com elle ganhareis muito,
  E' o da agulha e dedal.

5 Se quereis a um sómente
  Ser constante, assaz fiel,
  Examinai os escriptos
  Do propheta Pimentel.

6 Se as mulheres dão agora
  Em querer ter um partido,
  Por inconstantes e falsas
  Ficará tudo perdido.

7 Nenhum, senhora, nenhum;
  Se no amor sois inconstante
  Na politica a casaca
  Virareis de instante a instante.

HOMENS

2 Em trabalhardes e bem,
  Sendo a tudo tudo cego,
  Até que os tolos vos dêm
  Algum bem rendoso emprego.

3 Já fostes em outro tempo
  Corcunda qual dromedario,
  Hoje, é ordem do mundo,
  Voltais ao vosso fadario,

4 Sois um grande liberal
  P'ra felicidade do mundo,
  Porém dentro em vossa casa
  Sois carrasco sem segundo.

5 Sois saquarema ou luzia
  Conforme o que está de cima:
  Fazeis bem, tal faz tambem
  Quem a sua pelle estima.

6 Já fostes restaurador,
  Já fostes republicano,
  Hoje na concha mettido
  Pagais caro o desengano.

7 Se na politica vida
  Depressa quereis subir,
  Segui sómente o partido:
  Furtar, mentir, repartir.

SENHORAS

8 Um; é fazerdes sempre
  Com que o vosso marido
  Fielmente a suspirar
  Siga sempre um só partido.

9 Como sois terna e briosa
  E', senhora, natural
  Que sigais na vossa patria
  O partido liberal.

10 Vós tendes para o regresso
  Uma quéda, um tal desejo,
  Que o vosso partido, amiga,
  Tem por symb'lo um caranguejo.

11 Amamentareis os filhos,
  Dar-lhe-heis educação,
  Para que um dia sejam
  De utilidade á nação.

12 O vosso santo partido
  Com pouca cousa se engoda;
  E' inconstante por timbre,
  Qu'é o partido da moda.

HOMENS

8 Como não tendes caracter,
  Nem a mínima vergonha,
  Podereis figurar sempre,
  Que p'ra tudo tendes ronha.

9 Maromba, meu caro amigo,
  De tudo sahireis bem;
  Felizmente que por vós
  Ao mundo jámais mal vem.

10 Nenhum, que afinal de contas
  Ao mal a gente conduz;
  Por política acabareis
  Ainda na Santa Cruz.

11 Segui só da prophecia
  A mui sublime bandeira;
  Tem a cruz por seu emblema,
  Brilhará na terra inteira.

12 Ha'sortes que nada dizem
  Porque não as comprehendeis;
  Assim tereis por mui pouco
  Um R, e vos perdereis!