Para cantar de amor tenros cuidados

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(Para cantar de amor tenros cuidados)
por Cláudio Manuel da Costa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras Poéticas de Glauceste Satúrnio (1903, t. I).


Para cantar de Amor tenros cuidados,
Tomo entre vos, ó montes, o instrumento,
Ouvi pois o meu funebre lamento;
Se é, que de compaixão sois animados:

Já vós vistes, que aos eccos magoados
Do Thracio Orfèo parava o mesmo vento;
Da lira de Anfião ao doce accento
Se viram os rochedos abalados.

Bem sei, que de outros Genios o destino.
Para cingir de Apollo a verde rama,
Lhes influio na lira estro divino;

O canto, pois, que a minha voz derrama,
Porque ao menos o entôa um Peregrino,
Se faz digno entre vós tambem de fama.