Partir não m'atrevo

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Partir não m'atrevo
por Anónimo
Cantiga renascentista portuguesa do Cancioneiro de Paris.


Partir não m'atrevo,
Que me matam mágoas,
Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

Levam-mas do mar,
Longe do desejo,
Olhos que não vejo,
Mas fazem lançar.
E com estas mágoas,
Partir não m'atrevo,
Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

As águas do Tejo,
Que me vão levando,
Vou acrescentando,
Com meu grão desejo.
Remédio não vejo,
Para tantas mágoas,
Se não são as águas,
Que nos olhos levo.

Lágrimas de sangue,
Vou triste chorando,
O mar enturvando,
Fazendo-o mais grande.
Dizer não me atrevo,
O mais destas mágoas,
Que são muitas águas,
Que nos olhos levo.