Proclamação do Tenente-General Hope para a imediata segurança e tranquilidade de Lisboa

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[Proclamação do Tenente-General Hope para a imediata segurança e tranquilidade de Lisboa]
por John Hope
Proclamação do Tenente-General John Hope, Comandante das Tropas Britânicas em Lisboa, após a primeira invasão francesa (1808), transcrito da obra Collecção da Legislação Portugueza Desde a Ultima Compilação das Ordenações, Oferecida a El-Rei Nosso Senhor pelo Desembargador António Delgado da Silva (Legislação de 1802 a 1810), 1826[1]


PROCLAMAÇÃO
Do Tenente General Hope, Commandante das Tropas Britannicas para a immediata Segurança, e Tranquillidade de Lisboa

HABITANTES DE LISBOA:

O vosso Paiz he resgatado, e vós tornais a ser livres; a vossa Bandeira Nacional fluctua em toda a parte do Reino; e o Illustrissimo e Excellentissimo Senhor General em Chefe do Exercito Britannico está ancioso a restabelecer o vosso Governo Civil sobre a mesma base, em que o deixou o vosso Amado PRINCIPE, quando auxiliado pelos seus constantes Amigos e de seus Reinos, se salvou dos seus insidiosos Inimigos. Sem perder hum momento Nós nos esforçamos de effectuar esta medida, e de substituir hum Governo Civíl ao Militar; o que todavia ha de levar alguns dias. Para que pois os mal intencionados (se he que os ha) não convertão a verdadeira liberdade em demasiada soltura, e a fim de evitar na presente crise as terriveis consequencias de hum tal acontecimento, cumpre ao Commandante em Chefe, e áquelles, a quem tem immediatamente delegado a Superintendencia da Tranquillidade Pública desta Cidade, vigiar com summo desvelo na sua paz e socego, e na Segurança das Pessoas, e Propriedades de seus leaes e bons Habitantes. Para conseguirmos este fim, será indispensavel, por pouco tempo, conservar Guardas fortes, Piquetes e Patrulhas em varios sitios, a fim de se segurar e prender toda a pessoa que se atrever a perturbar a Tranquillidade Pública.

Regozijai-vos, Habitantes de Lisboa: Vós tendes grandes motivos para regozijar-vos; e os vossos Amigos Inglezes, participando dos vossos sentimentos, se regozijão tambem comvosco; não consintais porém que os mal intencionados tomem dahi azo para motins ou confusões. Que se guardem disso! pois que os mais vigorosos e effectivos meios estão preparados para prevenir e embaraçar qualquer atentado desta natureza; e todo aquelle que for cumplice, será punido segundo as Leis Militares da maneira mais prompta, rigorosa e exemplar; e a fim de precaver a minima tentação de interromper o socego da Cidade, prohibimos, nas presentes circumstancias, o entrar com Armas, e usar dellas pelas ruas; e todos os Armazens ou Tabernas, onde se vende por miudo vinho ou licores espirituosos, estarão fechados logo depois das seis horas da tarde, não devendo abrir-se antes do Sol-nado, sob pena de prizão, e perdimento dos effeitos.

Convocamos em fim todas as Pessoas, que tem authoridade ou influencia, sejão do Corpo da Magistratura ou fóra delle, e muito particularmente os Sagrados Ministros da Religião, que auxiliem a força Militar, a fim de manter com a sua influencia a Tranquillidade da Capital, até se conseguir o desejado fim de vêr-mos entrar as constituidas Authoridades Civís no exercicio de suas Funcções.

Viva o PRINCIPE REGENTE! Viva! Viva!

(ass.) João Hope, Tenente General

Notas[editar]

  1. [Collecção da Legislação Portugueza Desde a Ultima Compilação das Ordenações (Lisboa, 1826)]. Disponível em: <https://books.google.pt/books?id=osY0AQAAMAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-PT#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 8 jul. 2016.