Reverendo Fr. Fodaz

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Ao mesmo frade torna a satyrizar o poeta, sem outra materia nova, senão presumindo, que quem o demo toma huma vez sempre lhe fica hum geyto.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsA Nossa Sé da Bahia

1Reverendo Fr. Fodaz,
não tenho matéria nova,
de que vos faça uma trova,
mas de antiga tenho assaz:
que como sois tão capaz
de ires de mau a pior,
suponho de vosso humor,
que enquanto a velha, e o frade
sois sempre em qualquer idade
mais ou menos fodedor.
  
2Na boa filosofia
mais ou menos não difere,
e assim vós que estais, se infere,
na mesma velhacaria:
Lembra-me a mim cada dia
tanto sucesso indecente,
que de vós refere a gente,
que inda que d'outra monção,
sei, que de hoje para então
nada tendes diferente.
  
3Se o burel, que se remenda,
e o ser frade, e ser vilão
vos fazem mais fodinchão,
como haveis de ter emenda?
Será inútil contenda
querer, que vos emendeis,
pois como vós não deixeis
de ser frade, e ser vilão,
sempre heis de ser fodinchão,
fodereis, mais fodereis.
  
4Quem a causa não desfaz,
não destrói o seu efeito,
com que vós no hábito estreito
sempre haveis de ser fodaz.
Valha o diabo o mangaz,
que em vendo a pinta, e a franga
aqui, em Jacaracanga,
em público, e em secreto,
se lhe cheira o vaso preto,
logo a porra se lhe emanga.
  
5De um pirtigo tão velhaco,
que tão súbito se engrossa,
que direi, senão que almoça
vinte picas de Macaco:
membro, que em todo o buraco
se quer meter apressado,
qual arganaz assustado,
fugindo ao ligeiro gato,
que direi, que é membro rato?
Não: porque este é consumado.
  
6Pois logo que hei de dizer,
como, e com que paridade
porei o membro de um frade,
a quem não farta o foder?
Eu não me sei nisto haver,
nem por que apodo me reja:
mas o mundo saiba, e veja,
que o membro deste mangado
é já membro desmembrado
da justiça, mais da Igreja.