Sádías virações da madrugada

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(Sádías virações da madrugada)
por Francisco Álvares de Nóbrega
Poema sobre o amor, escrito por Francisco Álvares de Nóbrega, na Cadeia do Limoeiro. Poema agrupado posteriormente e publicado em Rimas (1804)


Sádías virações da madrugada,
Que as folhas embalais d’este arvoredo,
Entrando n'este sitio inda mais cêdo,
Que a dubia luz da aurora marchetada.

Agora que repousa a doce Amada
Em lençoes de jasmins seu corpo lêde,
Um pouco respirai mais em segredo,
Sádías virações da madrugada.

Respeitai de Marilia o somno brando
Nos ramos d'estes álamos copados,
As subtis azas placidas feixando.

Tende em morno silencio os verdes prados,
Durma a causa do mal que estou passando,
Em quanto dorme, dormem meus cuidados.