Se a dar-te vida a minha dor bastara

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Sentimentos d'El Rey D. Pedro II à morte desta serenissima senhora sua filha primogenita.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsPessoas Beneméritas

Se a dar-te vida a minha dor bastara,
Filha Isabel, de minha dor morrera,
E porque minha dor tudo excedera,
Gêneros novos de sentir buscara.

Se uma vida se dera, ou se emprestara,
A metade da minha te ofrecera,
Ou toda, porque inveja não tivera
Outra a metade, que órfã me ficara.

E se a minha alma enfim tua agonia
Substituir pudera com a sua,
Tua vida animando a cinza fria:

Inda que a arrojo o mundo o atribua,
Não só a vida, a alma te daria
Por melhorá-la com fazê-la tua.