Se me recordo, meu Camões divino

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(Se me recordo, meu Camões divino)
por Francisco Álvares de Nóbrega
Poema dedicado a Luís Vaz de Camões. Poema agrupado posteriormente e publicado em Rimas (1804)


Se me recordo, meu Camões divino,
De que em pobre Hospital, sordido, agreste,
O derradeiro adeus ao Mundo déste,
Leio em tua desgraça o meu destino.

O Drago da doença, atroz, maligno,
Cóspe em meu corpo tragadora péste:
Que meu fatal instante em fim se apréste,
Espero, como tu, em leito indigno.

Com tudo melhor sorte em ti conheço:
Tu do desprêso soffres só o insulto,
Eu entre ferros ao sepulchro desço;

Tu sem nota, eu infame me sepulto;
Porém menos tambem, menos mereço,
Porque tu eras Sabio, eu sou estulto.