Sei eu, Senhor, que Vossa Senhoria

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Ao mesmo governador subtilmente remoqueia o poeta ao descuidar-se de sua honrada supplica sobre a mercé ordinária, lembrandolhe, que á dera a hum soldado ridiculo chamado o Faria, por quem naquelle tempo cantavão os chulos "a mulher do Faria vay para Angola".
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsHomens de Bem

Sei eu, Senhor, que Vossa Senhoria
Mandou dar ao Faria um bom vestido,
Sendo, que mais o tinha merecido
A mulher do mesmíssimo Faria

Provo: todo o prazer, gosto, e alegria,
Que se tem do Faria deduzido,
O deu sempre a Mulher, nunca o Marido.
Que ela ia pra Angola, e ele não ia.

Assim que se a Mulher vai para Angola,
E ele fica na infame lupanária,
Sua ausência cruel pondo à viola:

Tiro por conseqüência temerária,
Que à Mulher se lhe deve dar a esmola,
Que em crítico se diz mercê ordinária.