Sem par Elmano, a quem do Pindo a chave

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(Sem-par Elmano, a quem do Pindo a chave)
por Francisco Álvares de Nóbrega
Poema dedicado a Bocage, seu contemporâneo de cárcere na Cadeia do Limoeiro. Poema agrupado posteriormente e publicado em Rimas (1804)


Sem-par Elmano, a quem do Pindo a chave
Franqueára o Pastor do loiro Amphriso,
Quando mal te apontava ao rosto liso
A sombra, que afugenta o brinco ignave;

Mana dos labios teus nectar suave,
Se copías de Armía o doce riso;
Fallar por tua bôca um Deus diviso,
Se tratas da Moral sisuda _e grave.

Sôbre as azas reaes, cria inda implume
Aguia possante pouco a pouco exalta,
Té que a faça encarar de Phebo o lume:

Assim teu metro, que meu Estro esmalta,
Me convida a subir da Gloria ao cume,
E o ensino me dá, que inda me falta.