Esqueleto animal, cara de fome

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(Esqueleto animal, cara de fome)
por Desconhecido
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas . Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto do Retrato Mal-Fadado.[1]

Esqueleto animal, cara de fome,
De Timão, e chapeu á hollandeza,
Olhos espantadiços, bocca acceza,
D′onde o fumo, que sáe, a todos sóme:

Milagre do Parnaso em fama e nome,
Em corpo gallicado alma franceza,
Com voz medonha, lingua portugueza,
Que aos bocados a honra e brio come:

Toda a moça, que d′elle se confia,
É virgem no serralho do seu peito;
Janella, que se fecha, putaria!

N′este esboço o retrato tenho feito;
Eis o grande e fatal Manoel Maria,
Que até pintado perde o bom conceito.

Notas[editar]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.