Uma Campanha Alegre/I/X

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Uma Campanha Alegre por Eça de Queirós
Volume I, Capítulo X: Os sete marqueses de Ávila


Julho 1871.

Ninguém até hoje precisou bem a razão real e íntima deste fenómeno; e o motivoé que ninguém sabe, com verdade e nitidez, a maneira como foi constituído este ministério ilustre.

Para fornecer, pois, a explicação crítica desse caso instrutivo, aqui revelamos a organização do ministério tal como a impuseram as circunstâncias partidárias, as dificuldades de acordo, e a justa repugnância que todo o cidadão decoroso tem em se associar à acção que se chama governar o País.

O ministério foi assim composto:

Presidente do Conselho - Marquês de Ávila e Bolama;

Ministro dos Estrangeiros - Marquês de Ávila e Bolama;

Ministro do Reino - Marquês de Ávila e Bolama;

Ministro da Fazenda - Marquês de Ávila e Bolama, sob o pseudónimo de -

Carlos Bento da Silva;

Ministro das Obras Públicas - Marquês de Ávila e Bolama, sob o simpático e suposto nome de - Visconde de Chanceleiros;

Ministro da Justiça - Marquês de Ávila e Bolama, sob o anagrama - Só Vargas;

Ministro da Guerra -- Marquês de Ávila e Bolama, sob a denominação verdadeiramente inexplicável de - José de Morais Rego.

Alguns jornais, com referência ao ministério, têm frequentemente aludido ao caso singular de ser na realidade o sr. marquês de Ávila o único ministro que vive, fala, decreta, influi, faz deputados - a única individualidade agente e movente.