Uma Campanha Alegre/II/III

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Uma Campanha Alegre por Eça de Queirós
Volume II, Capítulo III: O nosso melhor navio de guerra, o Índia


Janeiro 1872.

Louvemos a Providência em humilde atitude: o Índia podia não ter fundo!

Mas não, o Índia é o nosso glorioso vaso, conhece o brasão heróico que usa, compreende a responsabilidade que arvora, vê que lhe cumpre sustentar o nome da

Lusitânia, e portanto o Índia, com uma moderação que nos comove até às lágrimas, o índia - mete apenas cinco polegadas de água por dia!

E todavia o Índia podia - quem lho impediria? quem ousaria coibir-lhe a nobre vontade? -o Índia poderia não ter casco! O Índia poderia não ter costado!

Mas não! o Índia sabe os deveres de todo o honrado transporte de guerra para com a Pátria que o emprega. O índia - limita-se a meter apenas cinco polegadas de água por dia!

O Índia, o melhor navio que temos, o navio novo, expressamente feito para uso do

País, comprado com madura reflexão, examinado com escrupulosa ciência, glória da nossa marinha, defesa das nossas colónias, garantia da nossa honra, o índia, que sábias comissões aprovaram, que uma recta imprensa exaltou, que professores da escola normal celebraram, que custou muitas mil libras, que é novo, perfeito, impecável, o

Índia - mete apenas cinco polegadas de água por dia!