Uns olhos cantaste, Adelia

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Uns olhos cantaste, Adelia,
Em versos tão primorosos,
Que deixaste os olhos todos,
D′esses olhos invejosos.

Esses olhos, que cantaste
Na lyra que o mesmo Apollo,
Arrebatado do canto,
Veio pendurar-te ao collo,

São dous gentis diamantes,
Que cahiram lá do céu...
Mas isso é da natureza;
O que tem elles de seu?

Que sentimentos exprimem?
Dó, gratidão, ou bondade?
Alguma vez ′n elles viste
Amor, ternura, verdade ?

Senti, ao ver esses olhos,
Um deslumbrante clarão,
Que fere como o do raio,
E passa como o trovão.

Os dous gentis diamantes,
As duas bellas estrellas,
Luzem, scíntillam e brilham;
Porem o que dizem ellas?


Abril de 1852.