A Alma do Lázaro/II/VIII

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A Alma do Lázaro por José de Alencar
Segunda Parte: O Diário, 18 de março de 1752

Maria voltou da feira sem as compras do dia.

Perguntei-lhe a causa.

Achou palavras para me dizer. Os regatões recusam receber o dinheiro que passou por minhas mãos!

Meu Deus!... Dai-me força para sofrer com resignação! Preciso dela! Sinto a razão vacilar. Por vezes já mordi nos lábios a blasfêmia que ia escapar-me.

Têm nojo do meu dinheiro! Se o tivesse roubado, o aceitariam: mas toquei-o, e o rei, que o manda correr, não protege um lázaro.

Felizmente Maria teve fome.

O instinto serviu-lhe de inteligência. Engenhou meio de comprar o necessário. Deu ao andador da Irmandade do Sacramento uma moeda de esmola.

O troco, os regatões não duvidaram recebê-lo.