A Alma do Lázaro/II/VII

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A Alma do Lázaro por José de Alencar
Segunda Parte: O Diário, 17 de março de 1752

Estive a refletir num projeto. É talvez uma loucura. E o que são todos os projetos do homem, miserável criatura, de quem zomba o tempo e a fortuna?

Lembrei-me de dar à estampa o meu livro.

Talvez naqueles que o lessem, excitasse eu alguma simpatia. Não me conhecendo nem sabendo o meu nome, a repugnância que inspiro não mataria o interesse pelo autor obscuro e ignorado.

Tenho tanta sede de afeição, depois que a tua me deixou vazio o coração!... Sentir-me querido, ainda, mesmo de longe, e envolto no mistério, seria uma suprema ventura!

Demais, quem sabe?... Salvaria deste martírio estéril e desta vida inútil alguma cousa.

Um nome, que fosse!

O nome é segunda vida. É a vida do futuro.

Não lhe chamam glória?...