A Falência/XXIV

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A Falência por Júlia Lopes de Almeida
Capítulo XXIV


Domingo de verão; as cigarras chiavam estridulamente no flamboyant da rua. Grande sossego em tudo.

Fechada no seu quarto, Camila tentava ler, mas os olhos fugiam-lhe da leitura para as caminhas vazias das gêmeas, entregues desde a véspera à baronesa da Lage. Cumpriam-se as ordens de Mário.

A família espalhava-se ao bruto ponta-pé da pobreza: uns para aqui, outros para acolá... Que imprevistas soluções tem a vida!

Numa persistência cruel, o conselho do filho fincava-se-lhe no cérebro. Exangue e dolorida, ela não lutava; a fatalidade faria dela o que quisesse... O que a atormentava sobretudo era a saudade das gêmeas, que tinham levado consigo toda a sua alegria e que, ausentes dela, iriam dispensando à outra os afagos que deveriam ser só seus! Pobres inocentes, lá viria um dia em que o preconceito da honra se levantasse no seu caminho, como um rochedo em cujas arestas lhes ficassem o sangue e a carne.

Via já a outra como uma inimiga. Fora ela quem lhe tirara o filho para a irmã; era ela quem lhe tirava as filhas para si. O pretexto humilhava-a, achava-se indigna por não ter tido forças de defender as crianças, arrancadas de casa pela pressão da necessidade. Olhou para as mãos: eram bonitas, mas não sabiam fazer nada. Camila escondeu-as depressa, arrepiada, nas dobras do casaco.

E o conselho do filho não a deixava, numa fixidez alucinadora. Sim, só Gervásio poderia salvá-la, se quisesse dizer primeiro a palavra que ela não tinha coragem de pronunciar.

Camila fechava os olhos, tapava os ouvidos e sempre, continuamente, entre o seu orgulho de mulher e os seus extremos de mãe, badalavam as palavras do filho:

— Case-se, case-se, case-se!

E ele tinha razão; só assim ela tornaria a ter um lar onde aninhasse as filhas; cessariam os sacrifícios de Nina e de Ruth, a Noca trabalharia só para si, e o Mário...

O ressentimento que lhe ficara daquele filho, que viera de longe para lhe amargurar, avolumou-lhe as lágrimas que chorava. Tinha-se humilhado, havia de humilhar-se até ao fim. Falaria a Gervásio.

Devia fazer-se isso depressa, a tempo de salvar toda a gente e reunir as crianças antes do desapego completo.

Francisco Teodoro assim quisera, furtando-se à responsabilidade da família. fugindo da vida desde que a vida, em vez de presenteá-lo, lhe pedia favores. Era o abandono; pois bem, ela reconstituiria o lar que ele desmanchara; o seu velho amor, purificado por tantos sobressaltos, por tantas agonias, ressurgiria, como um dia de luz após outros de negrume, para a felicidade de todos!

O oração faz pagar caro às mulheres a sua glória, bem o sabia. Dei-a tudo, certa de que não era a honra do marido que sacrificava: era a sua própria. Ele não era autor nem cúmplice, não podia ser argüido pela sociedade hipócrita.

Por fortuna. tinha-se empenhado com um homem de bem: Gervásio salvá-la-ia. Mário dissera um dia:

— Escolha entre mim e o dr. Gervásio - Aí estava ela agora radiante, escolhendo a ambos, porque adorava um, porque era mãe do outro.

As horas passavam devagar. Num piano vizinho rompeu uma polca faceira; ressoavam gargalhadas na rua.

Que dia lindo e como havia gente alegre na vida! Camila foi à janela; vacilava ainda. Nem uma nuvem no céu; voltou para dentro e esbarrou com as caminhas vazias. Numa imposição de vontade, despiu-se a pressa e enfiou o vestido de sair; os dedos mal atinavam com os colchetes; nem olhou para o espelho, na ansiedade de partir. de correr para o futuro...

Eram quatro horas quando entrou no bonde que a levaria à casa do dr. Gervásio. Colheu a cauda do vestido, dobrou sobre o rosto o seu véu de viúva, ciosa de que lhe não lessem os pensamentos na alteração do rosto. Dobrava-se, enfim, á vontade da nora, aquela criatura implacável, que nunca a procurava, conservando-se a distância, com medo do contato. Camila sorria daqueles grandes escrúpulos, tão tardiamente acordados...

Para melhor evitar a sogra, Paquita mudara-se para Petrópolis; e o Mário, sempre com medo de perder a barca, mal visitava a família, carregado de encomendas para a mulher e o filho, um rapagão nascido longe da avó.

Camila esquecia-se de tudo isso, abrindo os olhos para as imagens exteriores. Era como se tivesse saído de um cárcere: tudo lhe parecia diferente e mais bonito. Começavam já a aparecer as chácaras de Botafogo, grandes relvados, altas palmeiras, frescuras de água e de sombras macias.

Em quantas daquelas casas, ela fizera brilhar as suas jóias, rugir as suas sedas, vagar o perfume do seu lenço de rendas e dos seus vestidos! Bons tempos... ah! mas eles voltariam, quando a fortuna e a lealdade de Gervásio a repusessem no lugar de que a ambição do marido a tinha arrancado.

Ia leve. Como é bonito e curto o caminho da felicidade!

O bonde dobrou a rua dos Voluntários; e uma súbita angústia caiu no coração de Camila. Ia passar pelo palacete Teodoro como uma estranha. Por um grande trecho da rua, ela esperava esse momento com curiosidade e terror; e quando o momento chegou, quis abranger tudo com a vista, adivinhar até o que se passava dentro daquelas grossas paredes. Na fugacidade do instante só pode perceber que a janela do seu quarto estava aberta e que tinham substituído por areia preta a antiga areia branca do jardim. Teve ímpetos de mandar parar o bonde, de entrar pela casa, ir até à sua saleta, continuar o bordado ou a leitura interrompida e beijar as duas filhinhas, coradas, ofegantes pelas últimas corridas da bicicleta, que lá deviam estar dentro, ao pé da Noca, na sala de engomar, sobraçando as suas grandes bonecas de olhos azuis...

O bonde passou, e Mila, toda voltada no banco, olhava para a sua casa, depois para o seu jardim, e ainda, enquanto a viu, para a alta copa ramalhuda da sua mangueira...

Sentiu então como que um desdobramento de personalidade. Ela que passava, sozinha, vestida da lã negra, com um véu de crepe pela cara, mal arranjada, abotoada à pressa, não era a Camila dos vestidos claros e das mãos luminosas; essa estaria lá dentro do palacete no seu eterno sonho de mocidade, de amor e de beleza...

Quando entrou em casa de Gervásio, teve um ímpeto de voltar para trás. Todos os seus escrúpulos se levantaram em revoada. Feriu-a então a idéia de que já era avó, e que esse título devia ser um ridículo algemando-a ao silêncio. O filho de seu filho seria também um inimigo? Tão pequenino, apenas nascido, e já teria força para se interpor entre ela e a felicidade?

Um criado abriu o guarda-vento; ela entrou indecisa para o vestíbulo. Nunca se encontrara ali sozinha: Gervásio não quisera expô-la aos comentários dos seus criados; preferia ter um canto obscuro, todo destinado a ela e que nenhuma outra mulher maculasse com a sua presença ou a sua indagação curiosa.

O mesmo criado conduziu-a por um corredor atapetado, ornado de plantas, até uma sala do mesmo pavimento térreo, abrindo sobre um jardinzinho interior, onde as dracenas se empenachavam de flores.

Pediu-lhe que esperasse ali. O senhor doutor conferenciava com um indivíduo no escritório, mas ia avisá-lo.

Ela respondeu-lhe que não, não tinha pressa; ficaria até que o outro saísse...

Quando se viu só, Mila levantou o véu com um suspiro de alívio. Olhou amorosamente para tudo: nas paredes alguns quadros; uma certa sobriedade nos arranjos e nos móveis. Reconheceu numa cadeira uma almofada bordada por ela, e, a um canto, um jarrão chinês com que Francisco Teodoro presenteara o médico, após uma doença grave do Mário.

O marido! o Mário! como eles lhe fugiam para o horizonte da vida... Aquele jarrão evocava uma época feliz. O filho era então já um rapazinho atrevido, mas tão meigo, tão lindo! o marido era forte, falador, arrebatado, ameaçando fazer cair a casa ao furor das suas rebentinas. E ela? Ela bem diferente: caseira, mal vestida, egoísta e muito severa para as faltas alheias... Prodigalizava-se pouco, o próprio marido não obtinha dela mais do que o carinho frio, de condescendência; não por mal, não por propósito, nem sabia porque...

Fora Gervásio que lhe ensinara a enternecer-se, a reprimir as suas cóleras, a perdoar as fraquezas dos outros, a embelezar a sua casa, a sua pessoa, a sua vida, a querer bem a todos, com inteligência e com consciência. Antes não o houvera conhecido; ela talvez não tivesse sido boa para ninguém, mas teria sido honesta e não conheceria o sofrimento.

Com os olhos parados nas figuras policromas do jarrão, Camila relembrava todo o martírio do seu amor, nascido pouco a pouco da intimidade...

O tal indivíduo demorava-se no escritório. Ela levantou-se, foi à janela olhar para o jardim. As plantas eram finas; como no interior da casa, havia também ali uma tranqüilidade distinta. Sentia-se que os gostos e os instintos do dono sabiam subordinar-se a uma vontade forte.

Camila olhava abstratamente para as flores, quando ouviu passos no corredor. Voltou-se; Gervásio apareceu no limiar da porta.

— Que é isso, Mila?!

— Nada... eu...

— Por que vieste?!

Camila avançou timidamente. Ele continuou:

— Por que não me mandaste chamar logo que entraste? Estás tão pálida!... tão fria... Foi uma imprudência vir aqui, a esta hora!... Mas por que?!

— Lá eu não poderia falar...

— Tens razão, aquela casa é tão pequena! está-se tão perto de todos! Senta-te, meu amor.

— Contrario-te?

— Nunca! estamos juntos! Fala.

— Eu...

Mal pronunciou a primeira palavra, Camila arrependeu-se da sua resolução. Era quase velha, já era avó! Aquele pensamento toda se enrubesceu; calou-se de novo, com os olhos rasos de água.

— Não te compreendo... assustas-me! Tens segredos para mim? Olha que me zango! Vamos, que aconteceu?

— Amas-me sempre?

— Sempre!

— Como... no princípio?

— Mais.

Então baixinho, num sussuro, com o rosto unido ao rosto dele, Camila disse tudo. Levada pelo seu sonho, ela não percebia quanto as mãos dele tremiam nas mãos e que sombras lhe passavam pelo rosto transtornado.

Quando ela acabou, ele não respondeu; ficou por largo tempo imóvel, como se ainda esperasse a última palavra.

A viração da tarde encheu a sala com o aroma das dracenas; Camila sorveu-o com deleite, como se fora um afago do céu. Enfim, falara, tinha-se dissipado a nuvem e já sorridente, instou pela resposta:

— Queres?

O médico ergueu-se de chofre, e com voz metálica e dura disse rapidamente:

— Não pode ser.

Camila moveu os lábios, numa agonia de morte. O que ela temia ali estava. Ele tinha razão, era bem feito, casar, para quê? Fora a nora que a obrigara a tamanha humilhação! Atrás daquela máscara de seriedade, Gervásio havia de se estar rindo dela, da pretensão daquele miserável corpo de avó a um noivado de amor! Teve a impressão dolorosíssima de estar coberta de rugas e de cabelos brancos; olhou para as mãos com medo; não compreendeu bem o motivo por que continuava ali e levantou-se com esforço, para se ir embora. O seu destino estava escrito: via todo o futuro tapado pelo corpo pequenino do neto.

Gervásio, pondo-lhe as mãos nos ombros, fe-la sentar-se outra vez, com brandura.

— Para quê? perguntou-lhe ela, quase chorando.

— Para te dizer tudo: eu sou casado.

Camila abafou um grito, tapando a boca com a mão.

Ele dissera aquilo num desabafo, na ânsia do golpe inevitável, com uma voz cortante como a de um machado lanhando um tronco verde. Roto o segredo, apiedou-se logo e falou com humildade, muito chegado a ela. Também pensara nisso, ela, também a quereria fazer sua aos olhos de toda a gente, mas estava preso a outra mulher, até que a morte...

— A morte! suspirou Camila.

E ele continuou, muito comovido:

— Viste-a uma vez. lembras-te? era aquela mulher de luto que encontramos na volta do Netuno. Achaste-a bonita... percebeste a nossa impressão e tiveste ciúmes... Eu não queria que soubesse... mas agora a explicação deve ser completa, dir-te-ei toda a verdade. Meu pobre amor, perdoa-me...

Gervásio segurou nas mãos de Camila; ela retirou-as devagar e fixou-o com um olhar de tão clara interrogação, que ele continuou mais baixo, mastigando as palavras:

— Sim. amei-a muito! casei-me por amor; mas no dia em que percebi que ela me enganava, deixei-a... Morávamos no Rio Grande, ela ficou lá com a mãe, eu voltei para aqui. Quis divorciar-me... ela opôs-se; opõe-se ainda; quer ter-me acorrentado como um cão: consegue-o. É tudo.

Era tudo. Camila percebeu o melindre do segredo, mantido para evitar-lhe uma ofensa. A razão iluminava-se-lhe; ela não podia ser aos olhos daquele homem nem melhor nem mais digna do que a outra que ele desprezara; a mesma culpa as nivelava, e se ele não encontrara perdão para a esposa. como encontraria respeito para ela?

Sempre calada, puxou o seu véu de viúva para o rosto e levantou-se.

O aroma das dracenas invadia tudo, numa exalação sufocante.

Gervásio beijava-lhe as mãos, suplicando-lhe que lhe perdoasse; fora por amor de ambos... Por que não continuariam a viver como até então?

Camila não respondia, e como ele instasse, ela pediu:

— Deixa-me ir embora!

— Tens razão; precisas descansar. Mas não podes ir assim, deixa-me ao menos mandar buscar-te um carro!

Camila desprendeu-se, já muito impaciente; queria ir sozinha, andar a pé ao ar livre. Ele consentiu, adivinhando que a perdia para sempre. Talvez fosse melhor assim...

Ela colheu a cauda da saia e saiu tiritando de frio, por aquela luminosa tarde de verão. Encontrara fechada a porta do futuro; voltara para trás, aturdida, como se sentisse dentro da cabeça um sino doido, badalando furiosamente. Ele era casado! Ele mentira-lhe! Tantos anos de mentira, tantos anos de mentira!

Era já noite quando Camila entrou no seu jardinzinho da rua de d. Luiza. A casa estava ainda às escuras, mas Ruth tocava lá dentro um adágio de Mendelssohn. Extenuada, Camila sentou-se nos degraus de pedra, como uma mendiga à espera da esmola. As luzes dispersas dos lampiões semeavam de pontos de ouro a curva negra do morro; a última cigarra adormecia nas flores abertas do flamboyant, e a alma dos seres invisíveis erguia-se na noite, enchendo-a de impenetrável e sagrado mistério...

Camila, com o olhar aberto para o veludo macio da sombra, percebia que estava tudo perdido, irremissivelmente. No outro dia escreveria uma carta a Gervásio, com a sua última palavra. O adeus definitivo. As lágrimas rolavam-lhe em fio pelo rosto abrasado; estava bem certa de que aquele era o dia da sua segunda viuvez.

Perdera na primeira o aconchego, as honras da sociedade, a fortuna e um amigo calmo, que não a repudiaria nunca... Na segunda, perdia a ilusão no amor, a fé divina na felicidade duradoura, o melhor bem da terra!

Chegara ao fim de tudo, à hora tremenda da expiação. Mas fora ela, por ventura, uma criminosa?

Maldizia-se, fora uma confiante, dera-se toda com os seus devaneios, os seus desesperos; dera-se completamente, absolutamente, e aquele a quem tudo sacrificara tinha-a deixado do lado de fora da sua vida, como a uma estranha.

Ele mentira-lhe, ele mentira-lhe!

Era casado, e desprezara a mulher pela mesma culpa! Que seria ela também aos olhos dele?

Oh! ser honesta, viver honesta, morrer honesta, que felicidade! Se pudesse voltar atrás, desfazer todos aqueles dias de sonho e de ebriedade, recomeçar os labores antigos na insossa domesticidade de esposa obediente, sem imaginação, sem vontade, feliz em ser sujeita, em bem servir a um só homem, com que pressa voltaria para evitar esta humilhação, pior que todas as mortes, porque vinha dele, que ela amava tanto! Amava ainda. Ainda!

Olhou com desprezo para o seu belo corpo de mulher ardente. Era um despojo, de que valia? Lembrou-se com terror das filhas, aquelas crianças nascidas dela, predestinadas para o Sofrimento. Caminhariam alegremente para o Amor, e o Amor só lhes daria decepção e miséria.

Numa angústia, Camila interrogou com olhar ansioso a treva muda: Senhor, que haveria no mundo para salvação das almas doloridas?!

Alguma coisa falou-lhe no ar, em um rasgo de poesia, que subia as estrelas: a música de Ruth. A essência da lágrima purificavase no som, com um poder de infinita pacificação.

Então a viúva teve inveja da filha, daquele ideal puríssimo, que não lhe traria nunca o travo de um desengano. A arte a consolaria do homem, pensou, quando chegasse o dia de o amar e de o servir...

Maldita a natureza, que a fizera, a ela, só para o amor!

As onze horas da manhã seguinte, Camila sentou-se a um canto da sala de trabalho. O sol entrava pela janela, estendendo no chão uma toalha de ouro. Debruçada sobre a mesa, Ruth escrevia em papel de pauta, preparando lições para duas discípulas novas. Toda a sua indolência antiga se transformara em atividade. Nina cosia à máquina e, no meio da casa, Noca borrifava a roupa para o engomado. Ela olhou para todos. Ruth estava feiosa, muito magrinha; mas a sua coragem iluminava-lhe a fronte, uma fronte de homem, vasta e pensadora; as outras pareciam até mais bonitas naquele afã. Estavam na sua atmosfera.

Com voz pausada e clara, Camila pediu que lhe dessem trabalho. Olharam-na com espanto.

— Mamãe, quer mesmo fazer alguma coisa?!

— Sim, minha filha... Tudo acabou, devo começar vida nova!

— Então mande buscar as meninas e ensine-as a ler! exclamou Ruth.

Um grito irrompeu de todos os peitos. Noca saltou:

— Vou já me vestir! Credo! não sei o que parece isto da gente dar os filhos. Deixe Mário falar, afinal aqui ninguém há de morrer de fome... Vou buscar as crianças?! Vou, ou não vou?

— Vai, respondeu Camila muito excitada; mas olha, não ofendas a baronesa. Basta dizer... que eu não tenho nada no mundo senão as minhas filhas!

— Bem que eu ouvi a senhora chorar toda a santa noite... Até estive quase...

— Basta de palavreado, Noca! interrompeu Nina; e acrescentou:

— Vá descansada, eu acabarei de borrifar a roupa. E depois, para a tia:

— Faz bem, tia Mila. O trabalhodistrai.