A Luneta Mágica/II/XLVII

Wikisource, a biblioteca livre
< A Luneta Mágica
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A Luneta Mágica por Joaquim Manuel de Macedo
Primeira Parte - Visão do Mal, Capítulo XLVII


Não posso mais ser feliz: é impossível.

Aborreço a todos, e todos me aborrecem.

Sou um contra todos, a sociedade toda está em guerra aberta contra mim. Não pode haver luta, vou sucumbir; cairei ao primeiro golpe.

O grito do primeiro garoto, a pedrada do primeiro menino malcriado será o anúncio do meu sacrifício

A voz geral brada que estou doido.

O médico que me tratou protesta que não estou doido; mas confessa que estou maníaco. A distinção não me salva.

Ficarei para sempre fechado neste quarto, ou, se aparecer na rua, gritarão mil vozes: "o doido! o doido!

E arrastarão o doido para o hospício dos alienados...

E me arrancarão à força a minha luneta mágica, e hão de quebrá-la, destruir o poder da visão do mal!...

Oh! é horrível esta situação.