A Luneta Mágica/V/VI

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A Luneta Mágica por Joaquim Manuel de Macedo
Epílogo, Capítulo VI


E já lá vai um mês... um mês inteiro de visão do bom senso.

Sinto desejo veemente de referir o que tenho observado; mas estou preso pelo dever de gratidão e pela religião do juramento, que me impõe silêncio.

Quantas lunetas do bom senso terá o armênio preparado magicamente para o armazém do Reis? E este a quantos amigos as terá confiado? . . .

Não posso compreender estas cerimônias e escrúpulos do meu amigo Reis

Tais escrúpulos são até antipatrióticos.

Se o Reis quer teimar no seu prejudicialíssimo sigilo, deve ao menos, e embora muito em segredo, oferecer sete lunetas mágicas com a visão do bom senso para uso dos membros do ministério e do governo do Brasil.

Não posso falar, não posso escrever, não posso dizer o que a visão do bom senso me está ensinando há um mês.

Quando o meu amigo Reis me desligar do juramento que fiz, escreverei o livro da— visão do Bom Senso.

Mas até lá... segredo.