A Revista/Ano 1/Número 3/Sambinha

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Sambinha


MARIO DE AMDRADE

Vêm duas costureirinhas pela rua das Palmeiras ..
Afobadas braços-dados depressinha
Bonitas, Senhor! que até dão vontade pros homens da rua.
As costureirinhas vão explorando perigos.
Vestido é de seda.
Roupa-branca é de morim.

Falando conversas fiadas
As duas costureirinhas passam por mim.
«Você vai ? »
«Não vou não».
Parece que a rua parou pra escuta-las.
Nem os trilhos sapecas
Jogam mais bondes um pro outro.
E o Sol da tardinha de Abril
Espia entre as palpebras sapiroquentas de duas nuvens.
As nuvens são vermelhas.
A tardinha é cor-de-rosa.

Fiquei querendo bem aquellas duas costureirinhas...
Fizeram-me peito batendo
Tão bonitas tão modernas tão brasileiras !
Isto é...
Uma era italo-brasileira.
Outra era africo-brasileira.
Uma era branca.
Outra era preta.

Esta obra entrou em domínio público no contexto da Lei 5988/1973, Art. 42, que esteve vigente até junho de 1998.


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