Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil/III

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Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil por José de Anchieta
De accentu — Cap. III


Todas as dições acabadas nas quatro últimas vogais têm o acento na última, e notam-se com circunflexo.

Algumas acabadas em e que parecem ter o acento na penúltima é por terem compostas, ut icatûpe de icatû e , nhóté, oetépé.

As acabadas em a partim na última, e notam-se com o mesmo acento, ut tatá, partim na penúltima, e notam-se com o agudo, ut óca.

As monossílabas com acento grave, ut , , nhò, nhú, etc.

Os verbos pela mayor parte têm o acento na última em qualquer consoante ou vogal que se acabem, ut ajucá, amondéb, etc.

Os mais dos acabados em i præcedente vocali têm o acento na penúltima, ou se hão de chamar contratos, ut acái, aiucéi.

Alguns poucos ha acabados em u præcedente vocali com acento na penúltima como estes passados ou sejam contratos, ou ditongos: e estes comumente são feitos de outras dições, ut aimongarâu, xe éu, xe iáu, xe ióu, xe péu, etc.

Do Cremento.[editar]

Cremento há não somente nos verbos, mas também noutras partes da oração porque todas se podem conjugar como verbos. Quer as dições tenham o acento na penúltima, quer na última, ee não crescem mais que uma só sílaba, ou se crescem duas com a penúltima breve, se notam com acento agudo, ut óca, ócamo, tatá, tatáne, tatáreme, aimondô, aimondóne, mondôreme.

Se crescem mais de uma sílaba, com a penúltima longa, claro está que nela se há de por acento agudo, ut tatá, tataráma, tataramboéra, óca, ocoéra, ocoáma.

No cremento dos tempos até o futuro do conjuntivo, exclusive, pode ficar o verbo com seu acento natural que tem no presente do indicativo, e por-se outro no cremento porque este pode se apartar do verbo futuro, aimondônè.

Vt Aimondô, eu mando, Imperativo, eimõdôvmè, Optativo , aimondô temomã, Conjuntivo, taimondô umé, Pretérito imperfeito, aimondômò, aimondômomo, aimondômonemò, aimondômeémo.

Quando os que têm acento na penúltima perdem a última, notam-se com seu mesmo acento agudo, e não com grave, e circunflexo, ut tecoára, tecoár, xerúba, xerúb.

Nas composições que são muitas se pode conservar o acento de cada um, ut de verbos com verbos, açó, vou, aipotár, quero, açôpotár, ir quero e na conjugação não se varia mais que o último ut açôpotane, açôpotâmo.

Nomes com nomes, vt Abá, homem, catú, bom, Abacatú, ôca, casa, catú, boa, composto ocatú.

Nomes com verbos, ut teçá, olho, aicotúc, furo, composto Ateçácotúc, píra, pele, composto aipícotúc.

Os que têm acento na penúltima perdem a última vogal ou sílaba na composição, e assim hão de levar sempre seu acento agudo, ut ócatú, aipócotúc.

Quando se achar acento grave na última nalgum cremento ou composição, entenda-se ser monossílabo, e atrás há de ficar o acento natural que tinha, ut açô, çôreme, córemenhè, çóremepè, e às vezes se põem dois monossílabos, ut çóremenhépé, ycatú benò, etc.

Isto das letras, ortografia, pronunciação, e acento, servirá para saberem pronunciar o que acharem escrito, os que começam aprender: mas como a língua do Brasil não está em escrito, senão no contínuo uso do falar, o mesmo uso e viva voz ensinará melhor as muitas variedades que tem, porque no escrever e acentuar cada um fará como lhe melhor parecer.

As mudanças das letras que ficam atrás servirão para não se repetir adiante uma coisa a cada regra pro que a estas hão de recorrer. Posto que sempre há algumas exceções, que o uso ensinará.