Dicionário de Cultura Básica/Academia

Wikisource, a biblioteca livre
< Dicionário de Cultura Básica
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Dicionário de Cultura Básica por Salvatore D’ Onofrio
Academia


ACADEMIA (escola filosófica) → PlatãoArcadismo

O nome "Academia" está relacionado com o nome de um herói grego, Academos, que doou seu parque, composto de ginásio e jardim, situado a NO de Atenas, ao filósofo Platão para conversar com seus discípulos sobre filosofia, ciências e artes. Após a morte de Platão, a Academia foi dirigida por vários filósofos e cientistas, até ser fechada pelo imperador Justiniano, que confiscou o patrimônio, em 529. Só um milênio depois, com o advento do Neoclassicismo francês e o Arcadismo italiano, o termo "academia" voltou a ter prestígio, passando a fazer parte da cultura social. As primeiras academias "modernas" surgiram na Itália ao longo do séc. XVI, quando intelectuais humanistas expunham suas idéias mais avançadas em reuniões regulares, rivalizando com o ensino ministrado nas Universidades: Academias da Crusca, dos Linces e de São Lucas, em Roma; Academia de Arte e de Desenho de Vasari, em Florença. A moda pegou e as Academias se espalharam pela Europa toda, especialmente na França. Em 1634, o ministro Richelieu fundou a Academia Francesa, encarregada de disciplinar o uso da língua francesa e opinar sobre os livros publicados. Em 1690, em Roma, é fundada a academia "Arcádia" por um grupo de poetas, entre os quais se destacou Pietro Metastasio. Da Itália, o movimento arcádico se espalhou pelos países de língua românica, tendo bons cultores especialmente em Portugal e no Brasil e dando início à moda das "academias" de Letras, de Ciências e de Artes, que perdura até hoje, ao nível municipal, estadual e nacional. Periodicamente, é eleito um determinado número de "imortais", cujas poucas atividades conhecidas são a de vestirem um fardão, tomarem o chá das cinco e fazerem discursos laudatórios, uns puxando o saco de outros. O humorista Millôr Fernandes ironiza: "a Academia Brasileira de Letras se compões de trinta e nove membros e um morto rotativo". Em lugar de satisfazer vaidades e alimentar rivalidades intelectuais, o dinheiro público seria mais bem utilizado na alfabetização do povo e na melhoria do ensino básico!