Fabulas de Esopo/A Pulga e o Camelo

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Pulga e o Camelo


FABULA LXXI.


A Pulga e o Camelo.

Poz-se huma pulga sobre hum Camelo carregado, e deixou-se ir sobre a carga huma jornada, no fim da qual saltou abaixo, e sacudindo-se, disse: Folgo em verdade de me descer: porque tinha dó de ti: agora irás leve com pouca carga. O camelo se rio deste cumprimento e respondeo: Nunca senti se te levava em cima, nem tu podes carregar-me, nem alliviar-me, que não tens pezo para isso. A carga que eu levo, essa sinto. Tu não tens pezo para te sentirem.

MORALIDADE.


Homens ha leves como pulgas, que por se mostrarem de muita importancia, e privados de senhores, não fazem senão entrar e sahir em suas casas, e tomão a mão a outros, que vão como os Camelos carregados de negocios, somente por metterem em cabeça a quem sabe pouco delles, que são tidos em conta ou que prestão para alguma cousa.