Fabulas de Esopo/O Lobo e o Asno doente

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Lobo e o Asno doente


FABULA LXX.


O Lobo e o Asno doente.

Estava o Asno mal disposto, e foi o Lobo visitalo, fazendo-se muito amigo. Tomou-lhe o pulso, correo-lhe a mão pelo rosto, e disse que queria curalo. Estava o Asno quedo, bem desejoso de se vêr cem legoas do Lobo, o qual lhe apalpava os membros todos: perguntou onde lhe doia e apertava-o e arrepelava-o tanto, que disse o Asno: Onde quer que me pões a mão, logo ahi me doe; mas rogo-te que te vas, e não me cures, que ido tu, sararei logo.


MORALIDADE.


Nunca são os máos tão peçonhentos, como quando encobrem a peçonha debaixo de mostras de amor. Porque em fim sempre o Lobo he máo; mas quando affaga he peior: e mostras de piedade no homem cruel são laços que arma para destruir o Asno, que se fia delle.