Fabulas de Esopo/Os Carneiros e Carniceiro

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
Os Carneiros e Carniceiro


FABULA LXIX.


Os Carneiros e Carniceiro.

Estando juntos huns Carneiros, entrou o Carniceiro, e elles não se alvoroçárão, nem fizerão caso disso. Tomou o Carniceiro hum e logo o matou, e nem com vêr o sangue temêrão os outros. Foi por diante, e os matou a todos hum a hum até o derradeiro, que vendo-se maniatado, disse: Por certo, com razão padecemos, pois vendo o nosso mal não quizemos entendelo. No principio ás marradas nos poderamos defender, vendo que nos matavão, então não quizemos; agora eu só não posso: e assim acabamos todos.


MORALIDADE.


Diz o proverbio portuguez que quando arderem as barbas de teu visinho, lances as tuas de remolho. Quem nos perigos alheios não se avisa, não he avisado; que males alheios bem notados são doutrina proveitosa para o prudente; mas quem o he tão pouco, que se deixa ir pelo caminho, por onde vê que se perdem todos, este tal se perderá por sua culpa e morrerá como o Carneiro.