Fabulas de Esopo/O Caçador e as Aves

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Caçador e as Aves


FABULA LXXII.


O Caçador e as Aves.

Concertava hum pobre Caçador as varas de visco, e as Aves olhando, estavão cantando á sombra das arvores, e gabando-o de bemfeitor e primoroso. Hum passaro já experimentado disse aos outros: fujamos logo todos, porque este que vedes, não quer mais que enviscar-nos e prender-nos. Andemos pelo ar até vêr o que acontece a outrem, porque este e todos como elle, quantos de nós houverem ás mãos, ou lhes torcem o pescoço, ou lho cortão, e mortos ou presos nos mettem em sua taleiga.


MORALIDADE.


Semelhantes são a estas aves os que não conhecem o seu mal, senão quando cahem nelle. Mas o passaro velho significa qualquer homem sisudo de experiencia, cujo conselho bem recebido muitas vezes livrou muita gente da morte, e Cidades ou Provincias inteiras de total destruição.