Fabulas de Esopo/A Raposa e a Doninha

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Raposa e a Doninha


FABULA IV.


A Raposa e a Doninha.

A Raposa andava faminta, e por huma greta de parede entrou em hum celleiro de trigo. Como lá se achou dentro fartou-se á vontade, e engrossou de maneira, que não pôde sahir por onde entrara. Disse-lhe então a Doninha: Se te agastas de te vêr preza, torna a adelgaçar, e poderás sahir. Disse-lhe a Raposa: Tu tens razão, e eu antes quero padecer fome, que estar preza.


MORALIDADE.


Quanto o homem mais tem, mais prezo está, e mais sujeito he. O pobre póde entrar e sahir sem pejo, e se não come tanto, tem maior liberdade, a qual por nenhuma fartura deve trocar o homem sabio.