Fabulas de Esopo/As Lebres e Rãs

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
As Lebres e Rãs


FABULA XXXIV.


As Lebres e Rãs.

Vendo-se as Lebres corridas dos galgos e espantadas de todos os animaes, assentárão, por não passar sobresalto, de se matarem affogados em hum rio, e querendo dalo á execução, como corressem com impeto para se arremessarem na agua, chegando á borda delia virão grande numero de Rãs saltarem com medo no ribeiro. Reportárão-se as Lebres hum pouco, e mudando o conselho, disserão: Pois que vivem estas Rãs, havendo medo de nós e de todos os que nolo causão, sofframos nós a vida, que já ha outros mais acossados e medrosos.

MORALIDADE.

Bem se vê ser verdade o que diz Marcial, que ninguem he miseravel, se for comparado; e a mais certa consolação, ainda que cruel, que ha nos males, he ver outros que padecem maiores, por esta causa perguntando-se a hum Philosopho de que modo se soffrerião bem tribulações, respondeu: Que vendo nosso inimigo em outras maiores.