Fabulas de Esopo/As Rãs e Jupiter

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
As Rãs e Jupiter


FABULA XXX.


As Rãs e Jupiter.

As Rãs n’outro tempo pedírão a Jupiter lhes désse Rei, como tinhão outros muitos animaes. Rio-se Jupiter da ignorante petição, e deferindo a ella, lançou hum madeiro no meio da lagoa. Começárão as Rãs a ter-lhe respeito; porém dês que entendêrão que não era cousa viva, de novo tornárão a Jupiter pedindo Rei. Agastado Jupiter da importunação, deo-lhes a Cegonha, que começou a comelas huma a huma. Vendo ellas esta crueldade, forão-se com queixas, e pedir remedio a Jupiter, mas elle as lançou de si dizendo: Andai para loucas: já que vos não contentastes do primeiro Rei, soffrei esse, que tanto me pedistes.

MORALIDADE.

Gente e Povo amigo de novidades he como as Rãs; cada dia querem mudar de senhor, e desejão alterações, e mudanças. Mas bem se vê nesta Fabula, que castiga Deos muitas vezes os máos, só com lhes conceder o que pedem; e os que murmurão do bom Governador ou Prelado, ás vezes cahem em poder de tyrannos, que os comem e destroem, como a Cegonha aqui fazia.