Fabulas de Esopo/O Lobo e a Rapoza

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Lobo e a Rapoza


FABULA LXV.


O Lobo e a Rapoza.

O Lobo se apparelhou, e proveo sua cova muito bem de mantimento. A Rapoza chegou, e disse que obrigada de amor andava traz elle, por vêlo e servilo. Não quero teu serviço, disse o Lobo, que tua intenção não he senão roubar-me e comer-me o que eu tenho. Vendo-se a Rapoza alcançada, buscou quem matasse o Lobo, e metteo-se de posse de sua cova e de quanto estava nella; mas sobrevindo huns caçadores, foi achada dos cães e feita em pedaços.

MORALIDADE.


Na morte desta Rapoza se declara o fim que merecem os que desejão e procurão a morte a seus parentes por herdar delles, que os taes, se chegão a alcançar o que pretendem por meios tão illicitos, as mais das vezes não o gozão, e muitas o perdem com a vida e honra, porque o mal adquirido, dizem os Latinos, que por entre as mãos se escorrega.