Fabulas de Esopo/O Soldado e o Pifano

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Soldado e o Pifano


FABULA XIV.


O Soldado e o Pifano.

Hum Soldado velho aposentado, e enfadado da guerra, por se tirar de occasiões, assentou de queimar todas as armas que tinha, e pondo-o em effeito, tinha entre ellas hum Pifano, o qual lhe rogava que não quizesse queimalo, dizendo que elle não era arma, nem instrumento de matar ou ferir, pelo que não merecia pena. Tu a mereces maior, respondeo o Soldado, e a ti heide queimar primeiro, porque não prestando tu para pelejar, atiçavas os outros se matassem na peleja, e logo o queimou com as armas.


MORALIDADE.


Na figura do Pifano se mostra o castigo que merecem alguns cobardes, que servem de urdir brigas com a lingua, e tomão o officio do diabo, tecendo meadas, e incitando a mal, gente perniciosa na Republica, e que os delictos, que por sua causa se fizessem, devêrão ser castigados em dobro.