Fantina/XXXIII

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XXXIII
por Francisco Badaró


Nas abas da serra do Pomba, era um campo de limitado horizonte, onde via-se o dorso negro da serrania semelhante á enorme cauda de uma buisininga colleando entre as nuvens de um retinto lavado, Daniel cantava ao som da viola.

No rancho sem paredes, tendo apenas uma coberta de telhas denegridas do roçar dos annos, elle soltava harmonias saturadas de lancinante saudade. Seus companheiros deitados em couros fóra do rancho tomavam o fresco da noite povoada de todas as attracções magneticas de um luar lendario.

Daniel encostado aos balaios pensava em Fantina.

Como Haydéa, elle pelos olhos d'alma via o encanto da amante, e quando a viração impregnada do perfume doce que sahia das flores das piunas passava-lhe pela fronte, suppunha o halito quente do peito que tantas vezes arfou sobre o seu. Lembrava-se de Fantina, e a idéa do marido de D. Luzia tentar contra ella fazia-o tremer. Involuntariamente elle apalpava a faca, como que viesse ante seus olhos assombrados uma cabilda de salteadores.


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