História da Mitologia/XX

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História da Mitologia
por Thomas Bulfinch
XX -Teseu e Dédalo - Cástor e Pólux - Festivais e Jogos


Capítulo XX[editar]

Teseu e Etra
ilustração de Laurent de La Hyre (1606–1656)

Teseu[editar]

Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do rei de Trezena. Ele cresceu em Trezena, e quando chegou à idade adulta, foi enviado a Atenas para se apresentar diante de seu pai. Egeu ao se separar de Etra, antes do nascimento de seu filho, colocou sua espada e suas sandálias debaixo de uma grande pedra e ordenou a Etra que lhe enviasse o filho quando ele estivesse forte o bastante para remover a pedra e retirar o que ele havia deixado debaixo dela. Quando ela achou que era chegada a hora, sua mãe conduziu Teseu até a pedra, e ele a removeu com facilidade pegando a espada e as sandálias.

Como as estradas eram infestadas de assaltantes, seu avô pediu-lhe encarecidamente para que ele pegasse o caminho mais curto e mais seguro para as terras de seu pai – o mar; mas o jovem, sentindo em si mesmo o espírito e a alma de um heroi, e ansioso para se tornar famoso como Hércules, cuja fama percorria toda a Grécia, destruindo os malfeitores e os monstros que oprimiam o país, decidiu por fazer a viagem mais perigosa e mais cheia de aventuras indo por terra.

Em seu primeiro dia de viagem ele chegou a Epidauro, onde vivia um homem chamado Perifetes, filho de Vulcano. Este truculento selvagem andava sempre armado com uma clava de ferro, e todos os viajantes afastavam-se apavorados diante de sua violência. Quando ele viu que Teseu se aproximava, ele investiu contra o herói, porém, rapidamente caiu sob os golpes do valente jovem, que lhe tomou a clava e a portava sempre consigo como recordação de sua primeira vitória.

Várias lutas similares com pequenos tiranos e saqueadores de terra foram travadas, e em todas elas Teseu saiu vitorioso. Um destes malfeitores se chamava Procrusto, também conhecido como o Esticador. Ele tinha uma cama de ferro, onde ele costumava amarrar todos os viajantes que caíam em suas mãos. Se eles fossem menores que a cama, ele esticava os membros de suas vítimas até que coubessem na cama; e se os membros fossem maiores que a cama, ele cortava um pedaço. Teseu fez com ele o que ele fazia com os outros.

Tendo vencido todos os perigos da estrada, Teseu finalmente chegou a Atenas, onde novos perigos esperavam por ele. Medeia, a feiticeira, que havia fugido de Corinto depois de ter-se separado de Jasão, havia se tornado esposa de Egeu, pai de Teseu. Sabedora de quem ele era devido aos seus feitiços, e receando perder a influência sobre seu marido caso Teseu fosse reconhecido como seu filho, perturbou o espírito de Egeu com desconfianças a respeito do jovem estrangeiro, induzindo o marido a oferecer ao rapaz uma taça de veneno; porém, no instante quando Teseu avançava para tomar a taça, a visão da espada que ele portava consigo revelou ao pai quem ele era, e isso impediu o plano fatal. Medeia, revelada em suas magias, fugiu mais uma vez do merecido castigo, e viajou até a Ásia, onde essa região posteriormente passou a se chamar Média[1] em sua homenagem, Teseu foi reconhecido por seu pai, e declarado seu successor. Os atenienses naquela época andavam muito atribulados, por causa do tributo que eram forçados a pagar ao rei de Creta, Minos. O tributo consistia em oferecer sete jovens e sete donzelas, que eram enviados todos os anos para serem devorados pelo Minotauro, um monstro com corpo de touro e cabeça humana. O animal era extremamente forte e feroz, e ficava recluso em um labirinto que tinha sido construído por Dédalo, e tinha sido construído de forma tão engenhosa que aquele que se visse encerrado dentro dele, não conseguia encontrar a saída de modo algum, exceto se fosse ajudado. Nesse lugar o Minotauro ficava perambulando, e era alimentado com vítimas humanas.

Teseu resolveu libertar seus compatriotas dessa tragédia, ou morrer tentando. Sendo assim, quando chegou a época de enviar o tributo, e os jovens e as donzelas eram sorteados, de acordo com o costume da época, para serem enviados, ele se ofereceu como uma das vítimas, ignorando as súplicas de seu pai. O barco, como sempre, partia com velas de cor negra, e que Teseu prometeu a seu pai trocá-las por brancas, caso voltasse vitorioso. Quando eles chegaram a Creta, os jovens e as donzelas foram exibidos diante de Minos; e Ariadne, a filha do rei, estando presente, apaixonou-se perdidamente por Teseu, que também retribuía o seu amor. Ela forneceu a ele uma espada, para quando encontrasse o Minotauro, e um novelo de linha para que ele achasse a saída do labirinto. Ele se saiu vitorioso, matou o Minotauro, escapou do labirinto, e tomou Ariadne como sua companheira, e junto com os companheiros que também foram salvos, rumou para Atenas. Durante o caminho, fizeram uma parada na Ilha de Naxos, onde Teseu abandonou Ariadne, deixando-a enquanto dormia.[2] Sua desculpa para tratamento tão ingrato de sua benfeitora era que Minerva havia aparecido para ele num sonho e o obrigado a agir daquela maneira. Ao se aproximar da costa da Ática, Teseu negligenciou o sinal determinado pelo seu pai, e se esqueceu de içar as bandeiras brancas, e o velho rei, achando que seu filho havia morrido, pôs fim à própria vida. Teseu então, se tornou rei de Atenas.

Uma das mais celebradas aventuras de Teseu foi a sua expedição contra as Amazonas. Ele investiu contra elas antes que houvessem se recuperado do ataque de Hércules, raptando-lhes a rainha Antíope. As amazonas, por sua vez, invadiram o território ateniense e tomaram a cidade; e a batalha final em que Teseu derrotou todas elas foi travada dentro da cidade propriamente dita. Esta batalha era um dos temas favoritos dos escultores antigos, e é comemorada em diversos trabalhos de arte ainda existentes.

A amizade entre Teseu e Pirítoo era da mais íntima natureza, embora tivesse sua origem no ambiente das armas. Pirítoo havia invadido a planície de Maratona, e roubado os rebanhos do rei de Atenas. Teseu logicamente repeliu os saqueadores. No momento que Pirítoo o viu, uma grande admiração se apossou dele; e Pirítoo estendeu suas mãos em sinal de paz, e exclamou, "Avalias por ti mesmo e me dizes que ressarcimento pedes em troca?" "Tua amizade," respondeu o ateniense, e assim eles juraram fidelidade incondicional.

Seus atos correspondiam às suas ocupações, e eles continuaram a ser sempre verdadeiros irmãos de armas. Os dois desejavam esposar uma filha de Júpiter. Teseu desejava Helena, que na época era apenas uma criança, e posteriormente seria tão celebrada por causa da Guerra de Troia, e com a ajuda de seu amigo ele a raptou. Pirítoo desejava a esposa do monarca de Érebo; e Teseu, embora ciente do perigo, acompanhou o ambicioso amante em sua descida ao submundo. Mas Plutão os aprisionou e os colocou sobre uma rocha encantada junto do portão de seu palácio, onde eles permaneceram até que Hércules chegou e libertou Teseu, deixando Pirítoo entregue à própria sorte.

Depois da morte de Antíope, Teseu casou com Fedra , filha de Minos, rei de Creta. Fedra viu em Hipólito, filho de Teseu, um jovem dotado de todas as graças e virtudes de seu pai, e tinha a idade que correspondia à dela própria. Ela o amava, mas ele a repelia em seus impulsos, e o amor dela se transformou em ódio. Ela então usou a sua influência sobre o apaixonado marido para fazer com que ele sentisse ciúmes de seu filho, e Teseu rogou contra o filho a vingança de Netuno. Quando Hipólito estava um dia conduzindo sua carruagem pelo litoral, um monstro marinho se levantou acima das águas, e assustou os cavalos que fugiram e despedaçaram a carruagem. Hipólito morreu, mas com a ajuda de Esculápio, o assistente de Diana, ele voltou à vida. Diana afastou Hipólito das mãos do iludido pai e da falsa madrasta, e o mandou para a Itália sob a proteção da ninfa Egéria[3]. Teseu finalmente perdeu a proteção do seu povo, e se retirou para a corte de Licomedes , rei de Esquiro , que a princípio o recebeu com gentilezas, mas posteriormente o mataria traiçoeiramente. Mais tarde, Címon, o general ateniense, descobriu o lugar onde ficavam seus restos mortais, e mandou que fossem removidos para Atenas, onde foram depositados num templo chamado de Theseum, erigido em homenagem ao heroi.

A rainha das Amazonas a quem Teseu esposou é chamada de Hipólita por algumas pessoas. Esse é o nome que ela recebe na pela de Shakespeare “Sonhos de uma noite de verão” – cujo enredo são as festividades que foram realizadas nas núpcias de Teseu e de Hipólita. A Sra. Hemans (1793-1835) fez um poema sobre uma tradição da Grécia onde a "Sombra de Teseu" aparece incentivando seus compatriotas para a Batalha de Maratona.

Teseu é um personagem parcialmente histórico. Fala-se, que ele reuniu as diversas tribos que acabaram se transformando no único território da Ática, da qual Atenas era a capital. Em comemoração a este evento importante, ele instituiu o Festival de Panatenéias[4], em homenagem à Minerva, deusa e protetora de Atenas. Este festival diferia dos outros jogos da Grécia, particularmente por duas razões. Isso era um fato muito comum para os atenienses, e sua característica principal era uma procissão solene na qual o Peplo, ou túnica sagrada de Minerva, era levada até o Partenon, e era depositada diante da estátua da deusa. O Peplo era coberto com bordados, delicadamente trabalhado por virgens selecionadas das famílias mais nobres de Atenas. A procissão era constituída por pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Os velhos levavam ramos de oliveira em suas mãos, e os jovens portavam armas. As jovens levavam cestos em suas cabeças, contendo os utensílios sagrados, bolos, e todas as coisas necessárias para o sacrifício. Essa procissão se constituiu em tema dos baixos-relevos que embelezavam a parte externa do templo do Partenon. Uma parte considerável dessas esculturas localiza-se hoje no Museu Britânico junto com outros objetos conhecidos como "os mármores de Elgin."

Festivais e outros jogos[editar]

Não me parece inapropriado mencionar aqui outros célebres jogos nacionais dos gregos. Os primeiros e mais famosos foram os Jogos Olímpicos, cuja fundação, diz a lenda, foi o próprio Júpiter. Eles eram celebrados em Olímpia, na Élida. Grande número de espectadores participavam desses festivais oriundos de toda parte da Grécia, da Ásia, África, e Sicília. Eles se repetiam a cada quatro anos em pleno verão, e duravam cinco dias. Foram ele que deram origem ao costume de registrar o tempo e datar os eventos. A primeira Olimpíada foi realizada, segundo dados gerais, ao que corresponde o ano 776 a.C. Os Jogos Píticos foram celebrados nos arredores de Delfos, no Istmo de Corinto, e os Jogos Nemeus na Nemeia, cidade de Argólida.

Os exercícios nestes jogos obedeciam a cinco modalidades: corrida, salto, combate, lançamento de discos, e lançamento de dardos, ou pugilismo. Além destes exercícios mostrando forçando física e agilidade, havia também concursos de música, poesia, e eloquência. De modo que, estes jogos eram grandes vertentes para poetas, músicos, e autores que tinham as melhores oportunidades para apresentar suas produções para o público, e a fama dos vitoriosos chegava aos lugares mais distantes.

Dédalo[editar]

Ícaro e Dédalo
alto relevo da Vila Albano, em Roma.]

O labirinto do qual Teseu escapou por meio dos artifícios de Ariadne foi construído por Dédalo, que era um artífice muito habilidoso. E esse labirinto era uma construção com inúmeras passagens tortuosas e com múltiplas saídas, e que pareciam não ter começo nem fim, assim como o rio Meandro, que volta para si mesmo, e que corre ora para a frente, ora para trás, em seu curso para o mar. Dédalo construiu o labirinto para o rei Minos, mas depois caiu em desgraça com o rei, e foi encerrado numa torre. Ele conseguiu fugir da prisão, mas não podia sair da ilha pelo mar, pois o rei mantinha severa vigilância sobre todos os barcos, e não permitia que nenhum deles zarpasse sem que fossem cuidadosamente revistados.

"Minos pode controlar a terra e o mar," disse Dédalo, "mas não o céu. Tentarei esse caminho." Então ele pôs-se a fabricar asas para si mesmo e para seu filho Ícaro. Ele juntou algumas penas, começando com as menores e pouco a pouco foi adicionando as maiores, até que tudo foi crescendo. As penas maiores, ele prendeu com fios e as menores com cera, e deu ao conjunto uma suave curvatura como as asas de um pássaro. Ícaro, seu filho, assistia e observava tudo, corria algumas vezes para pegar as penas que o vento soprava para longe, moldando a cera e trabalhando-a com seus dedos, e com suas brincadeiras atrapalhava o trabalho de seu pai.

Quando, finalmente, o trabalho ficou pronto, o artista, batendo suas asas, viu-se impulsionado para o alto, suspenso no ar, e equilibrando-se com o adejar de suas asas. Em seguida, vestiu o garoto tal como ele, e o ensinou a voar, assim como os pássaros ensinam seus filhotes a saltarem de ninhos elevados. Quando tudo estava preparado para o voo ele disse, "Ícaro, meu filho, suplico para que mantenhas uma altura moderada, porque se voares muito baixo a umidade vai obstruir as tuas asas, e se fores muito alto, o calor irá derretê-las. Fique perto de mim e você estará seguro." Enquanto Dédalo dava ao filho estas instruções a ajustava as asas em seus ombros, o rosto do pai ficou cheio de lágrimas, e suas mãos tremeram.

Ele beijou o garoto, sem saber que que o fazia pela última vez. Então, subindo com suas asas, ele começou a voar, encorajando o filho a seguí-lo, e voando, olhava para trás para ver como o garoto dominava as próprias asas. E a medida que voavam o lavrador parou o seu trabalho para observar, e o pastor se apoiou em seu cajado para vê-los, espantado com semelhante visão, e achava que eles eram deuses e que poderiam assim fender o ar. Eles haviam passado Samos e Delos à esquerda e Lebynthos à direita, quando o garoto, exultante com seu sucesso, começou a se afastar da companhia do pai e a voar cada vez mais alto como se quisesse alcançar o céu.

A proximidade com o sol escaldante amoleceu a cera que mantinha as penas unidas, e elas se soltaram. Ele agitava os braços, mas não restou nenhum pena para mantê-lo no ar. Embora sua boca proferisse apelos para o seu pai, foi engolido pelas águas azuis do mar, que desde então, passou a receber o seu nome. Seu pai gritava, "Ícaro, Ícaro, onde você está?" Finalmente, pode ver as penas que flutuavam sobre a água, e lamentando amargamente o artefato que criara, sepultou o corpo do garoto e chamou essa região de Icária em memória de seu filho.

Dédalo chegou são e salvo na Sicília, onde ele construiu um templo em homenagem a Apolo, e também depositou as asas, como dádiva para o deus. Dédalo tinha tanto orgulho de suas realizações que não suportava a ideia de um rival. Sua irmã havia colocado Perdix, seu filho, sob seus cuidados para que ele aprendesse as artes mecânicas. Ele era um aluno habilidoso e dava demonstrações impressionantes de sua criatividade. Andando pela praia, ele pegou a espinha de um peixe. Fez uma réplica do achado, pegando um pedaço de ferro e criou chanfros em suas extremidades, e assim a serra foi inventada. Ele uniu dois pedaços de ferro, conectando-os em uma extremidade com um rebite, e afinando as outras extremidades, e assim nasceu o compasso.

Dédalo tinha tanta inveja das realizações do sobrinho que em uma ocasião, num dia em que eles estavam juntos no alto de uma torre elevada, sentiu vontade de empurrá-lo. Mas Minerva, deusa protetora da criatividade, viu quando ele caiu, e anulou o seu destino transformando-o numa ave que conhecemos como perdiz. Esta ave não constrói seus ninhos em cima das árvores, nem alça voos muitos altos, mas constrói seus ninhos com matos entrelaçados no solo, e como tem medo de cair, evita lugares altos. A morte de Ícaro é contada por Erasmus Darwin (1731-1802): nos versos seguintes

"... com a cera derretendo e os fios se soltando
Mergulha o infeliz Ícaro com suas asas infiéis;
De cabeça para baixo, lançado atemorizado pelo ar,
Com os membros retorcidos e o cabelo em desalinho;
A plumagem se dispersa dançando sobre as ondas,
E as Nereidas entristecidas enfeitam sua sepultura de água;
Sobre seu corpo pálido derramam flores marinhas peroladas,
Espalhando musgos carmesins sobre seu leito de mármore;
Cingindo suas torres de corais com o sino que retine,
E no oceano imenso ecoando seus dobres ressonantes."

Cástor e Pólux[editar]

Rapto das filhas de Leucipo
ilustração de Peter Paul Rubens (1577–1640)

Castor e Pólux eram filhos de Leda e o Cisne, sob cujo disfarce Júpiter se escondeu. Leda deu vida a um ovo de onde nasceram os gêmeos. Helena, tão famosa mais tarde por ser a protagonista da Guera de Troia, era irmã deles. Quando Teseu e seu amigo Pirítoo haviam raptado Helena de Esparta, os jovens heróis Castor e Pólux, junto com seus cavaleiros, correram imediatamente para resgatá-la. Teseu estava ausente da Ática e os irmãos foram bem sucedidos no resgate da irmã. Castor era famoso por domar e lidar com cavalos, e Pólux tinha muita habilidade como lutador.

Eles eram unidos pela mais pura afeição e eram inseparáveis em todos os cometimentos. Eles haviam acompanhado a Expedição dos Argonautas. Durante a viagem uma tempestade se formou, e Orfeu orou ao deus dos Samotrácios, e tocou a sua harpa, e com isto a tempestade cessou e as estrelas apareceram sobre as cabeças dos irmãos. Deste incidente, Castor e Pólux vieram posteriormente a serem considerados as divindades protetoras dos navegantes e dos viajantes, e as chamas cintilantes, que em determinados estados da atmosfera surgem ao redor das velas e dos mastros dos barcos, receberam o nome dos gêmeos.

Depois da expedição dos Argonautas, vamos encontrar Castor e Pólux engajados numa guerra com Idas e Linceu. Castor foi morto, e Pólux, inconsolável com a perda do irmão, suplicou a Júpiter lhe fosse permitido dar a própria vida em troca da vida do irmão. Júpiter atendeu o pedido dele para permitir que os dois irmãos desfrutassem a benção da vida de maneira alternada, passando um dia na terra e o outro nas moradas celestiais. Segundo uma outra versão da história, Júpiter recompensou a afeição que os irmãos tinham um pelo outro, colocando-os entre as estrelas Gemini, as Gêmeas.

Eles receberam honras divinas sob o nome de Dióscuros (filhos de Jove). Acredita-se terem eles aparecido ocasionalmente em tempos posteriores, participando, um ao lado do outro, em campos de duros combates, e dizia-se que em tais ocasiões eles estavam montados em magníficos corcéis brancos. De modo que, no começo da história de Roma, dizem que eles ajudaram os romanos durante a Batalha do Lago Regilo, e depois da vitória um templo foi erigido em homenagem a eles no lugar onde dizem terem eles aparecido.

Thomas Macaulay (1800-1859), em sua "Baladas da Roma Antiga," assim se refere à lenda:

"Parecidos como eram, nenhum mortal
Poderia distinguir um do outro;
Suas armaduras eram brancas como a neve,
Assim, brancos como a neve eram também seus corcéis.
Nunca em bigorna alguma da Terra,
Armadura rara jamais brilhou,
E nunca corcéis tão majestosos
Beberam de um rio na Terra.
O líder retorna em triunfo
O qual, nas horas da luta
Vislumbra os valentes irmãos gêmeos
Com os arreios à direita.
E com segurança, o barco alcança o porto,
Vencendo ondas e vendavais.
Onde os bravos irmãos gêmeos
Reluziam cintilantes sobre as velas."

Veja também[editar]

Notas e Referências do Tradutor[editar]

  1. Média: Região ao norte do Irã, mais conhecida por ter sido a base política e cultural dos Medas.
  2. Uma das mais finas peças de escultura na Itália, uma Ariadne reclinada do Vaticano, representa este episódio. A cópia está exposta no Ateneu de Boston, e está depositada, no Museu de Finas Artes.
  3. Egéria: ninfa a quem foi atribuído um papel legendário do início da história de Roma no papel de consorte divina e conselheira de Numa Pompilio, segundo rei sabino de Roma, a quem ela atribuía leis e rituais pertencentes à antiga religião romana.
  4. Festival de Panatenéias: os jogos panateneicos eram realizados a cada quatro anos em Atenas, na Antiga Grécia, desde o ano 566 a.C. e tiveram continuidade até o século III de nossa era. Os jogos incorporavam festivais religiosos, cerimoniais (incluindo a entrega de prêmios), competições atléticas, e eventos culturais realizados dentro de um estádio.