História das Psicoterapias e da Psicanálise/VI/VI

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História das Psicoterapias e da Psicanálise por Nelson Valente
Natureza, interpretações e elaboração dos sonhos, Mecanismos e significado das piadas e “atos falhos” no conhecimento do inconsciente


11) A Psicanálise começou sendo, desde o início, um método de exploração do Inconsciente. Além do uso do interrogatório sob "pressão", além das provas das “associações livres” e das interpretações dos sonhos, Freud ressaltou a importância do significado das "piadas" e dos "atos falhos", no que foi grandemente aplaudido e imitado por seus discípulos.

A essência da teoria psicanalítica sobre as "piadas" e dos "atos falhos", no que foi grandemente aplaudido e imitado por seus discípulos.

A essência da teoria psicanalítica sobre as "piadas" é que, seu prazer é provocado pela "livre expressão de sentimentos recalcados", sob uma forma aparentemente inocente e inofensiva, quando de outro modo seriam inaceitáveis. Uma forma engraçada de libertar as tendências e impulsos recalcados. Se trata quase sempre de um impulso agressivo contra um superior, um concorrente, uma autoridade ou contra um objeto sexual, de outra forma, inatingíveis, e a cujas expensas vimos. Por exemplo, um boca-larga aborrecido por gabar-se contínua e exageradamente de seus êxitos comerciais, perguntou certo dia orgulhosamente, numa reunião de vendedores amigos: "quanto vocês pensam que ganhei no mês passado?" "Um pouco menos da metade" respondeu quietinho um colega que lhe estava próximo. E a agressividade coletiva, contra o colega impertinente, estourou numa gargalhada unânime, provocada por aquelas poucas palavras.

O mesmo acontece na literatura e na arte, onde o conteúdo hostil é expressado livremente, como na piada, graças à forma artística, que o disfarça.

12) Em sua obra “Psicopatologia da Vida Cotidiana”, Freud mostrou que os atos cotidianos de esquecimento, "falhas" e transposição de palavras, não são inteiramente "acidentais" e revelam muito mais do que os atos normais. Um "ato falho" tem um valor revelador de algo inconsciente que o paciente teima em ocultar. Resulta sempre de uma "falha" de seu poder de controle e de simulação.

Quando uma pessoa de boa memória esquece algo inconscientemente, um encontro marcado, por exemplo, ou coisa parecida, é porque, em realidade, está oferecendo uma relutância inconsciente a realizá-lo.

Todos nós sabemos quão facilmente perdemos os objetos que nos foram doados por pessoas pouco afetas; como é fácil enganar-nos com o itinerário, ou mesmo perder a condução quando estamos indo a um lugar aborrecido, ou mesmo esquecer-nos de assistir a reuniões que sentimos serem desagradáveis. Muito mais psicólogos e com intuição mais fina, notam as mulheres as "pequenas falhas" involuntárias, principalmente, de suas amantes, pressentindo seu verdadeiro significado.