História das Psicoterapias e da Psicanálise/XI/I

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História das Psicoterapias e da Psicanálise por Nelson Valente
Conclusão


ETIOLOGIA POLIGENéTICA E PSICOTERAPIA MULTIFORME

Desde o ponto que a queiramos considerar, como órgão ou como faculdade, a mente humana pode ser perturbada, quer constitutiva, quer funcionalmente. Causas hereditárias, congênitas, ou adquiridas por ocasião de um parto difícil, ou por alguma doença posterior, tumor, lesão, agente invasor, etc., causas orgânicas e causas psíquicas ou funcionais.

Parece, segundo certo consenso unânime, que a mente tem sua sede no cérebro, entendido como um todo e incluindo o cérebro superior, médio e inferior, juntamente com toda a rede dos diferentes sistemas nervosos. Mas, funcionalmente a mente humana exerce sua atividade diretora desde o cérebro superior. E ao que parece, existem nos lobos frontais, certos focos ou centros corticais, onde se realizam as funções de associação e síntese das inúmeras informações recebidas por diversos centros de todo o cérebro. Estas funções de associação e síntese, bem como o poder de escolha e de julgamento da razão, do juízo e do intelecto, determinantes dos comportamentos e libertadoras das emoções que os acompanham e modificam, formam um conjunto diretor, que pode ser perturbado de diferentes maneiras. Quer por uma causa física que atinja os neurônios a elas correspondentes ou impedindo as vias de acesso das respectivas informações e as conseqüentes ordens de execução delas emanadas. Pois informações deficientes ou incertas devem gerar, necessariamente, julgamentos incertos e comportamentos errados. Ou poderão ser perturbadas, também, por motivos psíquicos e emocionais, o que poderá presumir-se, quando não houver anormalidades orgânicas perceptíveis. Uma simples disritmia da corrente bioelétrica, ou uma alteração bioquímica, produto de uma disfunção do metabolismo enzimático e hormonal, poderão provocar estados emocionais que alterem as percepções, imagens e pensamentos, desencadeando novas emoções, produtoras de maiores quantidades de hormônios, em círculo vicioso: hormônios influindo e alterando as funções mentais e estas aumentando e alterando a produção hormonal.

Devemos concluir, então, que não há nenhum distúrbio exclusivamente fisiológico ou exclusivamente psicológico. As duas coisas funcionam conjuntamente, como as engrenagens de uma máquina, perfeitamente regulada. Uma emoção induz uma reação fisiológica e uma condição fisiológica provocará uma emoção e assim por diante, resultando numa doença, que tanto poderá ser física, como mental, embora seus sintomas sejam predominantemente de um ou de outro tipo. O resultado será sempre um DESEQUILíBRIO, seja orgânico, energético, emocional ou psíquico, mas sempre com influências mútuas em todos os casos.

De onde se segue que há múltiplas causas, múltiplas terapias. Mostramos aos nossos alunos um bom número das mais usadas e, segundo o conhecimento empírico, todas elas bastante valiosas e de ótimos resultados. Ficará ao critério do bom psicoterapeuta o uso de um sábio ecleticismo para poder discernir sobre a oportunidade da utilização de uma ou de outra, em cada caso e em cada tipo de paciente.