História das Psicoterapias e da Psicanálise/XII/I

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História das Psicoterapias e da Psicanálise por Nelson Valente
Glossário


Ab-reação — Descarga emocional que se produz pela lembrança e verbalização de um fato ou idéia que contenha um conteúdo afetivo inconsciente. A carga afetiva (medo, vergonha, desgostos, etc.), que foi retida no momento do acontecimento, se mantém ligada à representação dele, podendo ser descarregada, num processo que se assemelha à catarse. Pode ser provocada sob hipnose.

Afeto — Termo que em psicanálise exprime qualquer estado afetivo ou emocional, penoso ou agradável, vago ou qualificado, quer se apresente como uma descarga maciça, quer como tonalidade geral.

Agressividade (agressão) — Freud considera a agressividade como um impulso inato no homem, em conseqüência do qual "o próximo não representa para ele somente um auxiliar e objeto sexual, mas também uma tentação para libertar suas tendências agressivas contra ele". Como ação específica de uma pulsão, a agressividade não é somente uma busca de destruição do objeto (atacar), mas também a mobilização com vista a realizar uma tarefa, sem matiz de destruição (atacar um problema). Nos últimos escritos de Freud, a agressão é derivada do instinto de morte, em oposição ao instinto sexual ou instinto de vida, Eros. O desenvolvimento de Eros neutralizaria a agressão.

Associação Livre — A regra da associação livre é a regra fundamental do tratamento psicanalítico. Através desta regra, o paciente deve verbalizar, indiscriminadamente, todos os pensamentos que lhe ocorrem, seja por exemplo uma lembrança do passado, um fato acontecido hoje, a imagem de um sonho, uma paisagem ou um número. Visa eliminar a seleção voluntária de pensamentos e o controle consciente dos assuntos relatados.

Ato falho (parapraxia) — Em psicanálise, atos falhos são um conjunto de fenômenos que se produzem no momento em que um indivíduo se exprimir ou proceder diferentemente do que tenciona fazer. Engloba erros de expressão (lapsos), de leitura ou de audição, esquecimento de palavras, perdas incompreensíveis de objetos familiares. Geralmente são incidentes aparentemente insignificantes, que não têm conseqüências práticas. Muitas pessoas explicam os atos falhos por falta de atenção, acaso, cansaço, etc. Para Freud os atos falhos são formações de compromisso, que nascem da oposição de duas tendências ou intenções concorrentes, uma das quais é manifesta (ou aparente) e a outra é latente (ou inconsciente). Através do ato falho o indivíduo resolve este conflito, manifestando de maneira deformada a tendência latente.

Bissexualidade — Noção primeiramente descrita por Wilhelm Fliess e depois assumida e desenvolvida por Freud, que inclui aspectos genéticos, embriológicos, anatômicos e psíquicos, segundo os quais todos os indivíduos, sejam homens ou mulheres, mantém vestígios do sexo oposto, embora, no curso de sua evolução, se orientem para uma predominância monossexual. Dessas predisposições e das decorrentes identificações que o indivíduo assume no seu desenvolvimento, define-se a sua heterossexualidade ou homossexualidade, permanecendo contudo sempre presentes aspectos secundários relacionados à sua predisposição bissexual inata.

Catarse — (terapêutica ou terapia catártica, método catártico) — No início da psicanálise, falava-se de tratamento catártico em relação com a hipnose. Trata-se da liberação ou descarga emocional (ab-reação) de afetos retidos no inconsciente, pela rememoração e verbalização de uma representação esquecida, geralmente associada a uma cena traumática. Freud se interessou por esse método e posteriormente apontou seus limites e perigos.

Catexia (investimento psíquico) — Faz alusão, em psicanálise, à união da energia psíquica com um objeto externo ou interno, uma atividade, uma parte do corpo, uma idéia, etc., fazendo a representação mental desse construtor psicológico ser dotada de maior ou menor valor psíquico e lhe dando maior ou menor importância dinâmica. Descatexizar ou desinvestir é retirar desse objeto a energia psíquica a ele ligada, que fica assim disponível para ser reinvestida em outro objeto.

Censura — Função de controle que regula o acesso à consciência dos desejos inconscientes ou também a passagem de conteúdos pré-conscientes ao consciente. A censura cumpre, em relação ao ego, uma exigência normativa de seleção e deformação do material inconsciente; possui o poder de proibir e reprimir. Os atos falhos (parapraxias) e os sonhos são expressões do inconsciente que "escapam" parcialmente da ação da censura.

Complexo de castração — Ocorre em resposta aos afetos contidos na situação psíquica do complexo de édipo. Os meninos temem, na fantasia, a castração como realização de uma ameaça paterna, pela rivalidade e hostilidade que eles próprios sentem em relação ao pai e pela culpa secundária aos desejos sexuais que sentem pela mãe. Daí decorre uma intensa "angústia de castração" que introduz o menino no mundo das leis e das proibições, abrindo assim o caminho para o seu desenvolvimento socializado. Na menina, a ausência do pênis é sentida como um dano sofrido, uma falta importante que ela procura negar, compensar ou reparar.

Complexo de édipo — édipo, segundo a mitologia grega narrada por Sófocles (édipo Rei), estava amaldiçoado e deveria vir a matar seu próprio pai e casar com sua própria mãe. Ao descrever a relação da criança (entre os três e os cinco anos) com seus pais, na fase fálica do desenvolvimento sexual infantil, Freud percebeu a presença de desejos amorosos e hostis, contraditórios porém complementares, dirigidos pela criança a seus genitores. Genericamente, predomina o amor pelo genitor do sexo oposto e a raiva e rivalidade pelo genitor do mesmo sexo. A inviabilidade de concretizar esses desejos libidinosos incestuosos e agressivos permite a repressão dos mesmos, que assim se tornam inconscientes acompanhando, contudo, a pessoa por toda a vida. O conceito evoluiu e ganhou uma expressão importante e complexa dentro da psicanálise, sendo a forma acima descrita a mais simplificada possível.

Compulsão à repetição — Tendência a repetir determinados padrões de comportamento, reações infantis etc., pelos quais o indivíduo se coloca altivamente em situações penosas, repetindo experiências antigas de uma forma deslocada, tendo a impressão de que se trata de algo somente motivado pela situação atual. Devido a seus determinantes inconscientes, o paciente repete na transferência essas formas antigas, clichês de comportamento, permitindo dessa forma a sua identificação e interpretação pelo terapeuta. A conscientização da compulsão a repetir determinados comportamentos permitirá ao paciente modificá-los.

Condensação — é a designação de um dos aspectos do trabalho do sonho e também um dos modos essenciais do funcionamento dos processos inconscientes. O relato do sonho manifesto em comparação com o seu conteúdo latente constitui uma versão resumida. Na condensação, vários elementos, objetos ou pessoas são representados por um só elemento, objeto ou pessoa.

Conteúdo latente — Conjunto de significações que se referem ao sentido inconsciente, descoberto através da análise. Se a tarefa de toda a análise é descobrir progressivamente o sentido inconsciente, pode-se pensar que a noção de conteúdo latente é "o conjunto do que a análise revela sucessivamente".

Conteúdo manifesto — é o conteúdo do sonho expresso através da sua narrativa, antes que esse conteúdo seja submetido ao trabalho analítico de descoberta de seus significados inconscientes. O conteúdo manifesto é, portanto, o conteúdo lógico, consciente.

Conflito (conflito psíquico) — Em psicanálise, fala-se de conflito quando, no indivíduo, se opõem exigências internas contrárias; quando não se produz a solução do conflito, surge a neurose. A psicanálise considera o conflito como constitutivo do ser humano. Ocorrem conflitos entre o desejo e a defesa, conflitos entre as diferentes instâncias psíquicas (id, ego e superego), conflitos entre as pulsões e por fim o conflito edipiano, onde se defrontam desejos contrários que, em sua evolução normal, sucumbem a uma proibição. O conflito sexual contido na antítese desejo-proibição do desejo (defesa) cumpre o papel fundamental na dialética da história pessoal.

Defesa — Em psicanálise trata-se de um mecanismo psíquico, consciente ou inconsciente, de natureza adaptativa, que a pessoa lança mão para conservar-se e preservar a sua integridade, defendendo-se contra aquilo que a ameaça tanto do exterior, quanto do interior. Freud diferencia defesas normais e defesas patológicas. Uma mesma defesa, por exemplo, a repressão, pode estar sendo utilizada de uma maneira normal ou patológica, em relação a diferentes contextos. Entre os mecanismos psíquicos de defesa destacam-se a repressão, a regressão, o isolamento, a negação, a projeção, a formação reativa, etc.

Desejo — Na concepção dinâmica freudiana, o desejo é um dos pólos do conflito defensivo. O desejo inconsciente tende a realizar-se, buscando sempre a satisfação, o prazer (princípio do prazer). Se o conflito encontra-se na base da vida psíquica e é a condição da constituição de uma história pessoal, o desejo é precisamente o vetor dinâmico, ao qual se opõe a defesa.

Deslocamento — é o fato de a acentuação, o interesse, a intensidade de uma representação mental ser suscetível de se soltar dela para passar a outras representações originariamente pouco intensas, ligadas à primeira por uma cadeia associativa de idéias.

Ego — Noção utilizada para designar o centro psicológico da personalidade. é uma instância psíquica que Freud, na sua segunda teoria do aparelho psíquico (teoria estrutural), distingue do id e do superego. Contém a parte consciente da mente humana, bem como os mecanismos de defesa, sendo estes, muitas vezes, inconscientes. O ego desempenha uma tarefa de autopreservação e adaptação, através da vontade, da percepção, da memória e do controle dos movimentos voluntários. Possibilita ao indivíduo o adiamento da satisfação dos impulsos.

Eros — Termo pelo qual os gregos designavam o amor e o deus do Amor. Freud utiliza-o na sua última teoria das pulsões para designar as pulsões de vida em oposição às pulsões de morte (ver Pulsões). é a noção psicanalítica para o princípio do prazer. No sentido biológico corresponde ao impulso do amor ou sexual existente no corpo humano. A energia impulsiva, daí resultante, é chamada de libido. Desta forma, Eros é representado pela libido.

Falo — Representação simbólica, no inconsciente, da função do pênis. Enquanto a palavra pênis tem presente a realidade anatômica do sexo masculino, falo toma o sentido figurado de poder e potência.

Fantasia — Representações psíquicas que não correspondem a fatos reais. Freud descobriu que o que seus pacientes contavam a respeito de acontecimentos sexuais ocorridos na infância não assentava muitas vezes em fatos reais, mas eram fantasias. Isto freqüentemente ocorria com as cenas de sedução relatadas. Freud descobriu que essas fantasias eram representantes disfarçados de desejos reprimidos. Daí decorre a noção freudiana da realidade psíquica. "Os sintomas neuróticos não se encontram em estreita ligação com acontecimentos reais, mas com fantasias baseadas em desejos, e que no caso das neuroses a realidade psíquica é mais importante do que a material" (Freud).

Fase — No seu desenvolvimento a criança passa por várias fases de organização e desenvolvimento sexual, cada uma delas com predominância de uma determinada zona corporal. Freud descreveu as fases oral, anal, fálica e genital, segundo o predomínio da libido, na organização psicossexual em cada uma destas fases.

Fixação — A libido, no desenvolvimento psicossexual de um indivíduo, pode ficar ligada aos acontecimentos e vivências de uma determinada fase de desenvolvimento. Essa fixação da libido pode significar uma parada no desenvolvimento psicossexual, sendo um dos fatores determinantes da forma como vai se manifestar uma neurose. A fixação da libido pode, no futuro, abrir caminho para a regressão até essa fase do desenvolvimento.

Fobia — Do grego PHOBOS = ansiedade. Medo doentio.

Hipnose — Sono artificial, que pode atingir até um estado de sono profundo, produzido por sugestão e induzido pela pessoa do hipnotizador no hipnotizado. A hipnose, acompanhada de influência verbal, foi e ainda é, em determinadas circunstâncias, utilizada como método terapêutico.

Histeria — é uma classe de neurose. Suas formas mais comuns são a histeria de conversão, em que o conflito psíquico vem simbolizar-se em sintomas corporais diversos como crises emocionais com teatralidade ou outros sintomas mais duradouros como anestesias, paralisias, aperto na garganta etc.; e a histeria de angústia, em que a angústia é fixada de modo mais ou menos estável neste ou naquele objeto exterior (fobias).

ld — é uma das instâncias psíquicas que Freud descreveu na sua segunda teoria do aparelho psíquico (teoria estrutural), juntamente com o ego e o superego. Pode ser definido como a mais antiga e inconsciente das regiões do aparelho psíquico. Contém tudo que é herdado, o que está estabelecido pela constituição e todos os impulsos originados na organização somática. "A única qualidade que impera no id é a de ser inconsciente." "O núcleo de nosso ser é formado pelo obscuro id, que não tem relações diretas com o mundo externo e até só é acessível por meio de outras agências da mente (...)." " o id obedece ao inexorável princípio do prazer" (Freud). Do ponto de vista econômico, o id é para Freud o reservatório primitivo da energia psíquica; o ego e o superego, com os quais o id entra em conflito, seriam diferenciações dele, estruturados na relação com o meio ambiente.

Identificação — processo psicológico pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo dessa pessoa. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma idéia de identificações.

Impulso — Ver Pulsões.

Inconsciente — Para Freud, é inconsciente "todo o processo psíquico cuja existência vem demonstrada por suas manifestações, mas da qual, por outro lado, ignoramos tudo, apesar de que se desenvolve em nós mesmos... todo processo que supomos ativado na atualidade, sem que ao mesmo tempo saibamos nada a respeito dele". Na sua primeira teoria do aparelho psíquico (teoria topográfica), seria a instância psíquica na qual ficariam contidos todos os desejos reprimidos, proibidos e censurados pela pessoa, afastados da sua percepção consciente.

Instinto — Na presente tradução das "Obras Completas" de Freud, o uso do termo instinto equivale a impulso instintivo ou pulsão (do alemão trieb); algumas vezes, na edição original alemã, aparece a palavra instinkt, no sentido clássico, correspondente a um comportamento herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco varia de um indivíduo para outro. Esse fato pode acarretar um risco de confusão entre a teoria freudiana das pulsões e as concepções psicológicas do instinto animal, distorcendo e anulando a originalidade da concepção freudiana, particularmente a tese do caráter indeterminado da pulsão e a variabilidade de seus alvos (objetos), o que explica o caráter inacabado e indeterminado do ser humano.

Libido — (do latim, significa desejo, prazer) — Para Freud a libido é a manifestação dinâmica, na vida psíquica, da pulsão sexual. Tem relação com tudo aquilo que pode designar-se com a palavra amor.

Neurose — (palavra grega, relativa a "nervo") — Afecção psicogênica na qual os sintomas são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem suas raízes na história infantil do indivíduo e constituem compromissos entre o desejo e a defesa. Há diferentes tipos de neuroses, entre as quais a neurose obsessiva, a histeria e a neurose fóbica.

Objeto — Em psicanálise, é o alvo, o objetivo para o qual se dirige um impulso ou pulsão, seja sexual ou agressivo, com a finalidade de obter uma satisfação. O objeto pode ser uma pessoa, parte de uma pessoa (objeto pareial), um objeto real mesmo ou um objeto fantasiado. A capacidade de esclarecer relações objetais e particularmente amor objetal com outra pessoa evidencia um importante desenvolvimento da personalidade de um indivíduo.

Parapraxia — Ver Ato falho.

Princípio do prazer — Toda a atividade psíquica tem por objetivo, proporcionar prazer e evitar desprazer. O prazer está ligado à redução das quantidades de excitação e o desprazer está relacionado ao aumento da excitação. O organismo tende sempre à descarga das pulsões instintivas, regido pelo princípio do prazer.

Princípio da realidade — é uma forma de adaptação do ego ao princípio do prazer. "é ao ego que cabe resolver se a tentativa de satisfação deve ser efetuada ou afastada ou se a reivindicação do impulso não deve ser reprimida como sendo perigosa (princípio da realidade) (...)." No que concerne à realidade externa, que nem sempre é favorável, o princípio da realidade impõe-se como princípio regulador. A procura de satisfação já não é mais imediata, já não se efetua pelo caminho mais curto, mas pelos desvios, adiando seus resultados em função da realidade exterior.

Psicose — Termo psiquiátrico e psicanalítico que designa doença mental na qual há perda do senso de realidade e perda do controle sobre as próprias atitudes, sendo estes fatores que a distinguem da neurose. A paranóia, a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva, a melancolia são as formas mais comuns de psicoses.

Pulsão (impulso) — Processo dinâmico que implica uma pressão ou força (carga energética, fator de movimento) que faz tender o organismo para um alvo ou objeto. Esse impulso ou pulsão tem sua origem numa excitação corporal, sua meta é resolver a tensão presente na fonte pulsional e para isso dirige-se a um objeto, graças ao qual obtém a satisfação. O conceito de pulsão, segundo Freud, é "um conceito limite entre o psíquico e o somático".

Realidade psíquica — Expressão usada por Freud para exprimir os desejos e fantasias inconscientes de uma pessoa, os quais não guardam uma relação lógica com a realidade externa concreta. Os processos internos inconscientes são constitutivos de uma realidade cuja coerência interna pode achar-se em oposição com a realidade exterior. De um modo geral, a neurose e a psicose caracterizam-se pelo predomínio da realidade psíquica na vida do indivíduo.

Regressão (do latim regress, "volta, retorno") — Designação psicanalítica que significa o retorno a uma fase psíquica primitiva do desenvolvimento, incluindo suas atividades, pensamentos, vida afetiva etc. Certos sintomas, por exemplo, se expressam de um modo oral ou anal no comportamento da pessoa. A regressão resulta de uma fixação da libido naquela fase de desenvolvimento do passado, com uma recaída atual ao modo de expressão e comportamento de um estágio anterior. é um mecanismo de defesa contra uma ansiedade atual e ao mesmo tempo, uma resposta patológica que leva o indivíduo a expressar-se novamente de uma maneira infantil.

Repressão — é a ação psíquica que tende a suprimir ou não dar acesso à consciência a determinados conteúdos, idéias, ou afetos considerados desagradáveis ou inoportunos. O conteúdo assim tornado inconsciente é designado como reprimido. Caso a censura que determina a repressão se encontre enfraquecida ou o reprimido se torne excessivamente forte, elementos do reprimido sobrepujam a censura e abrem caminho à força até a consciência, apesar da sua oposição (é o "retorno do reprimido"). Tal falha na repressão pode resultar em sintomas neuróticos ou psicóticos. A censura, neste sentido, é um guardião da saúde mental. Na terapia psicanalítica, ocorre a possibilidade de elaborar tanto a censura que determina a repressão quanto os desejos relacionados aos conteúdos reprimidos, permitindo a conscientização e a aceitação desses conteúdos.

Reprimido — Ver Repressão.

Resistência — é tudo aquilo que nas ações e nas palavras de uma pessoa se opõe ao reconhecimento de seus próprios desejos e conteúdos psíquicos inconscientes. Por extensão, Freud falou em "resistência à psicanálise" para designar uma atitude de oposição às suas descobertas na medida em que elas revelam os desejos inconscientes e infligem ao homem um "vexame psicológico".

Retorno do reprimido — Ver Repressão.

Sentimento de culpa — são remorsos ou auto-recriminações aparentemente absurdas ou um sentimento difuso de indignidade pessoal. é a expressão da agressão contra si mesmo devido a um julgamento moral inconsciente estabelecido pelo superego. Representa um conflito entre o superego que critica e os sentimentos infantis sexuais e agressivos que querem satisfação. Esse conflito inconsciente geralmente se manifesta na pessoa sob a forma de depressão.

Sexualidade — No significado que Freud lhe confere, relativo ao seu efeito no desenvolvimento psíquico e responsabilidade no aparecimento da neurose, constitui um dos objetos centrais da investigação da psicanálise. Em psicanálise, a sexualidade é inseparável do descobrimento do inconsciente e dos processos que dependem dele. Não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância que proporcionam prazer e que se encontram presentes em todas as formas de amor. Nas fases de desenvolvimento infantil, a sexualidade está presente e domina determinadas zonas corporais (a boca, o ânus, o pênis ou a vagina), dizendo-se neste caso sexualidade oral, anal, fálica ou genital. Fantasias sexuais estão presentes na criança desde a tenra infância.

Simbolismo — Em sentido geral, é o modo de representação indireta e figurada de uma idéia, de um conflito, de um desejo inconsciente. Em sentido restrito, é um modo de representação que se distingue principalmente pela constância da relação entre o símbolo e o simbolizado inconsciente; essa constância encontra-se não apenas no mesmo indivíduo e de um indivíduo para outro, mas nos domínios mais diversos (mito, religião, folclore, linguagem etc.) e nas áreas culturais mais distantes entre si.

Símbolo — é um sinal (signo) ou representação que evoca algo ausente ou impossível de representar de outra forma. Em psicanálise, o campo do simbolizado se acha principalmente constituído pelo sexual e se desenvolveu ligado à descoberta freudiana da interpretação dos sonhos nos quais freqüentemente aparecem símbolos.

Sintoma — Em medicina, sintoma é a manifestação visível de uma doença invisível. Em psicanálise, sintoma é a manifestação de um conflito inconsciente. Os sintomas da neurose são uma satisfação compensatória para algum impulso sexual reprimido ou são medidas para impedir tal satisfação. Sensações corporais, ansiedade, medo, hábitos obsessivos e ritualizados, descontrole, alucinações são exemplos de sintomas.

Sublimação — Processo de produção de atividades superiores (intelectuais, artísticas, morais, etc.), indiferente, em aparência, a uma dinâmica e a uma economia sexuais inconscientes, mas que encontra nesta sua fonte, força e regime de funcionamento. Diz-se que a pulsão é sublimada na medida em que é derivada para um novo alvo não-sexual ou um que visa objetos socialmente valorizados.

Superego — Uma das instâncias psíquicas que Freud descreveu, na sua segunda teoria do aparelho psíquico (teoria estrutural), juntamente com o id e o ego. Designa o padrão adquirido através das impressões da infância, influências educacionais e outras influências do mundo exterior. é a instância que julga, censura e proíbe. Freud descreveu o superego como o "herdeiro do complexo de édipo", pela interiorização na criança da autoridade do pai e de todas as proibições e exigências parentais. Na experiência clínica o superego se manifesta determinando sintomas como sentimento de culpa, depressão, etc.

Transferência — Designa um dos fenômenos descobertos através da psicanálise, que se expressa pela relação afetiva do paciente com o psicanalista. O paciente transfere para o analista todos os sentimentos e reações neuróticas, sejam sexuais ou agressivos, relacionados com as pessoas de seu passado em cujo vínculo eles foram causados ou a quem se dirigiam. Trata-se da repetição de atitudes e sentimentos infantis que são vividos com uma sensação de atualidade acentuada. A reatualização de neurose do paciente na transferência é fundamental para o tratamento e a cura da mesma, através da sua conscientização. Daí decorre a noção de "neurose de transferência".

Trauma (traumatismo psíquico) — Acontecimento na vida do indivíduo de forte intensidade, ao qual ele não consegue responder de forma adequada e que determina efeitos patológicos duradouros em sua organização psíquica.