Horto (1910)/Estrada a fóra

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Estrada a fóra
por Auta de Sousa
Poema publicado em Horto (1910).
ESTRADA A FORA

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... são assim as paginas da vida;
Mil amarguras perto de cem flores.
Ao pé do riso, — a lagrima dorida.
H. CastricianoRuinas.


Ella passou por mim toda de preto
Pela mão conduzindo uma creança...
E eu cuidei ver alli uma Esperança
E uma Saudade em pallido dueto.

Pois, quando a perda de um sagrado affecto
De lastimar esta mulher não cança,
N’uma alegria descuidosa e mansa
Passa a creança, o beija-flor inquieto.

Tambem na Vida o gôso e a desventura,
Caminham sempre unidos, de mãos dadas,
E o berço ás vezes leva á sepultura...

No Coração, — um horto de martyrios!—
Brotam sem fim as illusões douradas,
Como nas campas desabrocham lirios.

1897