Já não sinto, Senhora, os desenganos

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Já não sinto, Senhora, os desenganos
por Luís Vaz de Camões

Já não sinto, Senhora, os desenganos
com que minha afeição sempre tratastes,
nem ver o galardão que me negastes,
merecido por fé, há tantos anos.

A mágoa choro só, só choro os danos
de ver por quem, Senhora, me trocastes;
mas em tal caso vós só me vingastes
de vossa ingratidão, vossos enganos.

Dobrada glória dá qualquer vingança
que o ofendido toma do culpado,
quando se satisfaz com cousa justa;

mas eu, de vossos males e esquivança
— de que agora me vejo bem vingado —
não o quisera eu tanto à vossa custa.