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Lágrimas Abençoadas/IV/XV

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Passados dois mezes encontraram-se frei Antonio e o mercieiro que tinha emprestado dinheiro sobre os rendimentos da casa de Alvaro.

Já sabe tudo?perguntou o padre.

Sei tudodisse o lojistaO rapaz está outro. Vae ver sua mulher todos os dias, e ouvi dizer que chorava os seus peccados. Que faz elle agora se está arrependido? Porque não tira a pobre senhora do convento? Que se arremedeiem com pouco, e vivam juntos.

É pouco de mais o que elles têem para viverem.

Eu darei o que lhes faltar; mas requeiro debaixo de juramento que nunca a minha protecção seja sabida por algum d'elles.

Oito dias depois, Maria dos Prazeres, ou dos Anjos como a chrismaram no convento, para que o sobrenome não fosse uma falsidade, saiu do convento para uma pequena casa, onde seu marido a esperava com a face inundada de lagrimas felizes.

Aquelle viver dos tres era um santo frenesi de amor; Vinham compartir d'aquella alegria o coronel, a mãe de Maria, seus irmãos, e até a prioreza quiz acompanhar sua filha para lhe conter (dizia ella) os impetos amorosos da lua de mel. O padre estava sempre em continua acção de graças. Ria e chorava ao mesmo tempo o bom do velho. No arrebatamento da alegria abraçava a prelada que tinha sempre um equivoco mui engraçado que dizer-lhe n'esses expansivos abraços: riam-se todos e o coronel rejuvenescia da intempestiva velhice.

Quem dá os meios para esta casa?perguntava elle.

A providencia de Deusrespondia o irmão.

D'onde vem este dinheiro no principio de cada mez?perguntava Maria.

Da Providencia de Deusreplicava o tio ás repetidas instancias.