LVII

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LVII
por Júlio César da Silva
in "Arte de Amar", 1ºed. 1921


<poem>

Cultivas uma amiga, certamente,
Para que as tuas confidências ouça,
E andas por toda parte ao lado dela;
Embora amiga, embora confidente,
Nunca a percas de vista, se for moça,
E não lhe creias muito, se for bela.


Observa, sempre atenta e a cada instante,
As mais leves minúcias do seu gesto;
Tudo o que ela fizer olha e investiga,
Porque, sem que o percebas, teu amante
Goza, às ocultas, um sabor de incesto
No desejo que tem por tua amiga...