Não chores, cara esposa, que o Destino

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(Não chores, cara esposa, que o Destino)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XXV. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto do Diálogo Conjugal.[1]

Não chores, cara esposa, que o Destino
Manda que parta, á guerra me convida;
A honra prézo mais que a propria vida,
E se assim não fizera, fôra indigno.

«Eu te acho, meu Conde, tão menino
«Que receio...»— Ah! Não temas, não, querida;
A franceza nação será batida,
Este peito, que vês, é diamantino.

«Como é crivei que sejas tão valente?...»
Eu herdei o valor de avós, e paes,
Que essa virtude tem a illustre gente.

«Porém se as forças forem desiguaes?»
Irra, Condessa! És muito impertinente!
Tornarei a fugir, que queres mais?

Notas[editar]

Na collecção de Couto, já por vezes mencionada, vem este soneto com o seguinte titulo, que fielmente copiamos:

« Em dialogo, a certo Fidalguinho que, pedindo vir
« com licença a Lisboa da guerra do Roussillon por
« cá se deixou ficar; até que o obrigaram a voltar:
«o estylo é rasteiro, attentas as pessoas que fallam.»

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.