Nem o tremendo estrépito da guerra

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Nem o tremendo estrépito da guerra
por Luís Vaz de Camões


Nem o tremendo estrépito da guerra,
com armas, com incêndios espantosos,
que despacham pelouros perigosos,
bastantes a abalar ũa alta serra,

podem pôr medo a quem nenhum encerra,
depois que viu os olhos tão fermosos,
por quem o horror nos casos pavorosos
de mi todo se aparta e se desterra.

A vida posso ao fogo e ferro dar,
e perdê-la em qualquer duro perigo,
e nele, como Fénix, renovar.

Não pode mal haver pera comigo,
de que eu já me não possa bem livrar,
senão do que me ordena Amor imigo.