No canto de um venal salão de dança

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(No canto de um venal salão de dança)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto V. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto ao Árcade França.[1]

No canto de um venal salão de dança,
Ao som de uma rebeca desgrudada,
Olhos em alvo, a porra arrebitada,
Bocage, o folgazão, rostia o França:

Este, com mogigangas de creança,
Com a mão pelos evos encrespada.
Brandia sobre a roxa fronte alçada
Do assanhado porraz, que quer lembrança:

Veterana se faz a mão bisonha;
Tanto a tempo menêa, e súa o bicho.
Que em Bocage o tezão vence a vergonha:

Quiz vir-se por luxuria, ou por capricho;
Mas em vez de acudir-lhe alva langonha
Rebenta-lhe do cu merdoso esguicho.

Notas[editar]

Bocage, o folgazão, rostia o França.

Se o soneto foi escripto, como parece, pouco antes das contendas com os Árcades, isto é, entre os annos de 1791 e 1793, o França nascido em 1725, devia então contar os seus 67 de idade! — Rostir é verbo neutro, que em sentido figurado significa mastigar. Fazemos aqui esta observação, porque já notámos que alguem entrou em duvida acerca da verdadeira intelligencia do vocabulo.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.