Numa e a Ninfa/VI

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Numa e a Ninfa por Lima Barreto
Capítulo VI


— Sim... sim... como?... como votar?... entendi... bem... o líder como vota?... questão aberta?... bem... já?... daqui a meia hora... entendi... vou ver... não demoro... respondo já... não me esqueço... sim... sei... bem... já disse... eu sei. Numa! sei... Até já...

E descansou o fone no gancho durante alguns instantes. Esperou que a ligação se desfizesse e pediu nova:

— Minha senhora... alo... meia dúzia zero quatro leste... sim! Leste...

Aguardou um momento e continuou:

— Alo! Alo! Quem fala! ... Ah! É você, Benta?... Benevenuto está?... vai chamá-lo ao aparelho... de que casa?... da minha casa... sim... espero.... vai...

Não houve grande demora e Edgarda com o fone ao ouvido, o lado esquerdo voltado para o aparelho, a cabeça meio inclinada, perguntou ternamente:

— É você, Benevenuto?... bem... é você?... já sei... não é para já... hoje?... não posso... não se perde por esperar... não tenho podido... quem está aí?... bem... uma coisa... Numa pergunta como deve votar no projeto de acumulação... diziam que queria... sim, o governo!... agora?... não faz questão... sim... que acha você?... entendi... bem... como? contra?... não... sim... ele quer vetar?... ficar simpático... compreendo... faz passar por portas travessas... sou inteligente... no telefone, só, não, seu "trouxa"!... entendi... faz passar e veta... entendi... fica com a simpatia dos interessados... então? como?... sim... se for nominal, contra; se não for, a favor... magnífico... vou... precisa cuidado... sei... creio... não se cansa... sei...adeus!

Orientada, pediu de novo ligação para a Câmara e pode Edgarda resolver a dificuldade política em que se achava seu marido. A necessidade de provar dedicação ao general Bentes obrigava todos os seus adeptos e admiradores a meditarem muito no levar a efeito o mínimo ato. Disputavam-se no agradecimento do estadista inesperado os políticos de todos os matizes. Os que estavam em cima e não queriam de forma alguma dar o mínimo sinal de que o seu apoio era simulado ou a contragosto; e os que estavam em baixo, apressados em ficar por cima, corriam parelhas com os adversários, dando sempre mais do que eles tinham dado.

Se uns chamavam-no de inteligente, os outros diziam-no gênio; se Numa qualificava-o de grande estadista, Salustiano arengava em algum lugar e aclamava-o o primeiro estadista do mundo. Não quer dizer que não houvesse quem visse nítido em tudo isso. Além da opinião, havia mesmo na política gente com alguma vergonha que não se entregava a tais excessos de bajulação; porém, os prudentes que estavam o poder e os republicanos puros que sonhavam realizar integralmente o regime, entregavam-se a essa luta para divertimento das arquibancadas e fortificar a convicção de Bentes.

Todas as qualidades que até ali tinham indicado o valor dos homens de Estado foram negadas; e as doutrinas mais absurdas foram espalhadas sobre o governo dos povos. Omar invadia o Egito e mandava queimar a biblioteca de Alexandria; e os escribas que dormiam nas tumbas, puseram a cabeça fora delas e olharam com o seu olhar de esmalte, a desmoralização da arte que tinha feito os eu encanto e os progresso dos homens. Choraram mais ainda, quando lhes afirmaram que eram o demótico e mais caracteres da escrita que fizeram a infelicidade dos povos.

Abaladas as noções mais estáveis, nesse pugilato de bajulação, não sabiam como se conduzir os adeptos do futuro presidente. Ainda não o era efetivamente, mas já todos o consideravam assim e foi graças a seu esforço que Xandu, Raimundo Costale, foi afinal empossado no Ministério do Fomento Nacional.

Xandu era rico e tinha, como todos, a sua vaidade. A dele era julgar-se com o estofo de grande ministro e o seu erro vinha em supor que o seria fecundo em obras, por espalhar decretos a mancheias. Pretendia fazer isto e aquilo; apanhava inspiração na boca de parentes, de amigos e punha toda a sua esperança na legislação. Não há dúvida que ela pode influir; ele exagerava, porém, o seu alcance e os seus resultados. Feito ministro, o seu primeiro trabalho foi instalar luxuosamente a sua secretaria e gabinete; cortinados, sanefas, mobílias, bustos, quadros - tudo ele colocou do maior luxo. Em seguida, espalhou o seu retrato e biografia pelos jornais e revistas, especialmente por essas pequenas revistas pouco conhecidas e lidas.

Há de parecer que são sem valor as publicações feitas nelas; entretanto, assim não se dá. Oferecidas gratuitamente, elas correm maior área e chegam onde as grandes publicações não chegam. O que perdem em intensidade, ganham em extensão; e os propagandistas políticos sabem bem disso porque não as desprezam. A fisionomia de Xandu, lavada, simpática, parada, com o seu olhar crédulo por detrás do monóculo, correu mundo em "clichés" de todos os tamanhos, com biografias auxiliares em todas as línguas. S. Exa. fomentava.

Bogoloff soube da nomeação de Xandu por intermédio do seu hospedeiro. Lucrécio ainda não estava colocado, mas tinha, sob o título de agente de polícia extranumerário, uma gratificação mensal que lhe dava para ter em dia o aluguel da casa. Parecia que devesse ter obtido colocação melhor; os seus protetores, porém, não julgaram a ocasião propícia e fizeram-no "encostado".

Aí, ele podia com mais liberdade prestar-lhes os seus serviços de popular e, sendo lugar provisório, não lhe viria uma frouxidão inqualificável no seus entusiasmo pelas altas qualidades administrativas deles. Contudo, esperava firmar-se e não havia esquecido de sua promessa a Bogoloff.

Moravam ainda na mesma casa da Cidade Nova e era hábito almoçarem juntos antes que as outras pessoas da família o fizessem. Tendo de onde tirar o dinheiro, o primeiro cuidado de Lucrécio foi por o filho na escola e o pequeno raramente o via nos dias úteis da semana. O serviço do pai não era marcado. Aparecia na polícia e demorava-se por lá, à espera que houvesse um "meeting", um discurso subversivo na Câmara, para perturbar as aclamações espontâneas e desinteressadas. A mulher e a irmã continuavam a temer semelhante espécie de emprego; Lucrécio, porém, as sossegava dizendo:

— Minhas filhas, é assim que a gente se arranja. Tudo está nas mãos dos políticos e, sem política, ninguém vai lá. O Candinho não está agente da Prefeitura? Como começou? O Totonho, não foi feito jardineiro-chefe? Ele há de me arranjar.

A fortuna de Totonho seguiu-se a do seu protetor Campelo, o Dr. Campelo. Não tendo sido possível dar a este um lugar de deputado, foi feito professor de meteorologia da Escola de Agricultura e diretor das Fundições da Ponta da Areia. Era bacharel em Direito, advogado sem renome, mas dispunha do bando de Totonho, que influía nas eleições da Lapa. Esse bando tinha uma existências duradoura e aliava-se a este ou àquele candidato, por mais ou menos tempo, às vezes desinteressadamente, conforme a fé que tinha na lealdade deles. Nem todos mereciam-lhe essa consideração de candidato. Uma das condições era ser bacharel, advogado, relacionado na política e fora dela, garantindo proteção para casas de jogo, para delegados e para absolvições.

Nas mais das vezes, como acontecia com Campelo, o candidato não podia garantir coisa alguma, sobretudo quanto ao júri. É verdade que muitos são ali prisioneiros políticos deste ou daquele, mas não é tão difícil juntá-los em conselho que essa proteção é mais uma burla com que os candidatos incitam os seus apaniguados a desordens e assassinatos, esperançados com a impunidade.

Totonho era encarregado de várias casas de cômodos e estalagens; e, na pobreza dos seus inquilinos e nas suas necessidades, arrepanhava eleitores, "fósforos" e desordeiros úteis.

Campelo juntara-se-lhe desde muito e Totonho punha muita esperança na estrela do doutor. De resto, este era delicado, acessível, apertava a mão de toda a gente, vestia-se bem, supondo-se até bonito; e com tantas qualidades não podia deixar de ir longe.

Foi logo um dos primeiros admiradores de Bentes, organizou banquetes a todos os seus parentes e não houve metáfora mais ou menos de "haras" que ele não empregasse para demonstrar de que modo a hereditariedade pesava na família.

Fora Totonho, por intermédio Campelo, quem pusera Lucrécio na polícia; e a Bogoloff, com quem almoçava naquela manhã, o novo policial lembrou:

— Doutor, por que não procura o Xandu?

Lucrécio não sentia absolutamente pesada a hospedagem do russo; queria, porém, que a sua educação e instrução tivessem outro âmbito. Respeitava o saber do moscovita e sentia a sua alvura e os seus cabelos louros deslocados ali.

Tinha Bogoloff tenção de fazê-lo mas, ainda muito russo, não supunha que o ministro o atendesse sem mais recomendações. Respondeu com grande convicção que iria. Lucrécio explicou:

— Doutor, não é que o senhor me incomode; mas a época está de aproveitar. Vamos ter uns anos cheios... Uma coisa, Doutor?

— Que é?

— O senhor não entende de medicina?

— Não. Por quê?

— Por nada... É que tenho um serviço de medicina para umas eleições.

— Mas... Que tem as eleições com a medicina?

— É um caso.

— Conta lá.

— O fato é o seguinte: o coronel Liberato, lá do Cambuci, tem que vencer umas eleições, mas os "outros" têm mais votos. Ele precisa fazer um estouro e um doutor era bom para socorrer a gente dele. Ele paga.

— Quanto?

— Um conto de réis. Quer ir?

— Não. Não sou médico, mas se fosse, não iria. Não quero essas atrapalhações...

— Qual atrapalhações, Doutor! Nossa gente está de cima... Se houver morte, ferimento, o processo fica abafado...

A mulher, que ouvira, falou da cozinha:

— Lucrécio, você não toma juízo. Fala assim de morte, como se fosse Nosso Senhor... Agora piores do que vocês, são esses graúdos que dão costas quentes a vocês...

— Qual, mulher, isto é política, um ajuda o outro. Não acha, Doutor?

— É... é... deve ser mesmo política.

— Você vai mesmo atrás da política, que um dia eles te deixam lá na "chácara"... Já disse... Não quero que você meta o Lúcio nessas coisas.

— Você já viu - disse Lucrécio - eu dar mal conselho ao pequeno? Doutor, na sua terra é assim?

— Bem, assim não é; mas...

— Qual! Todas as terras são iguais.

Seria difícil a Bogoloff explicar ao amigo as diferenças e as semelhanças existentes entre o mecanismo político da Rússia e o do Brasil; uma diferença, porém, logo notou naquela procura de um médico para pleitear eleições de vereadores. Só o mandonismo republicano com a sua concepção estupidamente cruel da política, é que podia lembrar-se de transformar comícios eleitorais em emboscadas de salteadores, com um médico entre eles. Curiosa piedade!

Absteve-se o russo de fazer qualquer consideração e, acompanhado de Lucrécio, encaminhou-se para o centro da cidade.

Inácio da Costa parecia não dormir. A toda hora do dia e da noite, era encontrado na rua, falando e gesticulando em grupos, discutindo nos bondes, lendo jornais, nos cafés, visitando redações. A todos, prometia um governo de Salento e ameaçava com excomunhão os prudentes duvidosos. Com o seu fraque abanando, o seu coco, fungando com força, pondo em relevo as rugas do rosto, o Inácio não se cansava de dizer que a sã política é filha da moral e da razão.

Lucrécio e Bogoloff logo o encontraram na primeira esquina, pouco depois de saltarem do bonde. Estava limpo, banhado e o seu olhar era jubiloso e esperançado.

— Viram! Viram! Não digo... Temos governo!... Xandu já mandou restabelecer o - Saúde e fraternidade... - Os conselheiros tinham banido esse santo dístico mas agora... Estamos na República... Implicaram também com - Ordem e Progresso. Por quê? Vocês não querem "ordem"? Vocês não querem "progresso"? A ordem é a condição do progresso.

— Será verdade? - indagou Bogoloff

— Como não! A história...

— A bem dizer, é o contrário: todo o progresso tem sido feito com desordens.

— Doutor, o senhor está me parecendo um metafísico. Chico - disse ele dirigindo-se a um passante - espera aí. Até logo! Até logo!

E saiu, abanando o fraque, fungando, gesticulando, ao encalço do amigo.

Não tinha Bogoloff grande esperança de ser atendido pelo ministro do Fomento. A promessa que lhe fizera, por ocasião da manifestação a Cogominho, não parecia que obrigasse o ministro a nada. Temia que o despedisse polidamente e, quando fosse o momento azado, já tivesse estragado o pedido. Fez parte de suas dúvidas a Lucrécio e este as julgou de peso.

— O melhor - disse Barba-de-Bode - é irmos à casa do doutor Macieira.

— Não o conheço bem... Não tenho grande intimidade...

— Mas eu o conheço. Vamos lá... Ele me atende... Agora, se arranjar qualquer coisa, é preciso trabalhar pela política dele.

— Não como médico - disse Bogoloff, rindo-se.

— Qual! Isto é com a política do Liberato.

A hora era propícia e tomaram o caminho de Santa Teresa. Depois de Bastos, chefe absoluto e respeitado da política nacional, Macieira era um dos grandes magnatas da República. Graças à população do seu Estado natal, a sua representação na Câmara era volumosa; e, em todos os conchavos, tinha que ser pesada a sua colaboração de chefe dirigente. Como grande chefe, não podia nunca declarar-se em franca oposição; e a veleidade que teve disso tinha-o enfraquecido um pouco. Entre os dirigentes da política, há um curioso equilíbrio que precisa de um mais audaz para se fazer; e surgindo esse audaz, nenhum outro pode tomar-lhe o lugar porque sempre o rebelde teme que os colegas não o sigam. O governo é sempre contado como elemento preponderante e o audaz nunca se separa do governo.

Macieira temia muito que o sucesso presidencial não lhe fosse favorável e dar-se-ia isto se caísse em Xisto. Logo que ela assim se anunciou, ajudou a fazer cautelosas insinuações no ânimo de Bentes e viu com prazer tomar outro curso os acontecimentos. Por isso, tinha no interregno que se seguiu à resignação do presidente grande influência e preponderância;

Era um homem delicado, mas reservado e tinha sempre o aspecto da cogitação profunda Lucrécio entrou-lhe em casa, demorou-se um pouco e voltou logo dizendo que não lhe pudera falar, Voltasse ao dia seguinte, que seria atendido, recebera nesse sentido recado.

A impressão daqueles restos de floresta, a cidade confusa lá embaixo, a montanha roída trouxeram tristeza ao coração do russo, e recordações dolorosas do seu amargo passado. Em presença daquelas altas manifestações da natureza, o seu pensamento era triste. Diante do Atlântico, o mar tenebroso dos navegadores da renascença, quando veio, embora estivesse espelhante que nem um lago, a sua alma se confrangeu.

Ele - que mal conhecia a história daquelas águas e a das terras que banhavam - só se lembrou que estava ali o mar da escravidão moderna, o mar dos negreiros, que assistira durante três séculos o drama de sangue, de opressão e de morte, o sinistro drama do aproveitamento das terras da América pelas gentes da Europa.

Das dores de tantos milhões de seres, das suas agruras, dos seus padecimentos, da sua morte, só aquelas unidas e mudas águas guardavam memória, e só elas evocavam o drama de que foram palco.

Lucrécio, julgando o companheiro triste com o resultado da expedição tratou de consolá-lo.

— Ele dá o "pistolão"... Não há dúvida!... Não se incomode!...

Bogoloff pensava pouco no fim da visita, mas ficou enternecido com o interesse do rapaz:

— Estou certo... Não penso mais nisso.

Lucrécio falou-lhe ao ouvido:

— Ele não estava em casa, Doutor. Ele tem uma francesa... A mulher não disse, mas eu sei... Vou ao Senado logo e as coisas estão arranjadas. Fique certo.

Essa ligação do senador era bem conhecida da cidade e freqüentemente os jornais da oposição faziam claras alusões a ela.

Dizia-se mesmo que a tal francesa tinha um grande ascendente sobe o ânimo de Macieira e influía decisivamente no curso dos vastos negócios encaminhados nas repartições públicas. Os homens de concessão, os agentes de casas poderosas sabiam dessa influência da "francesa" e tratavam de obter as suas boas graças mediante porcentagens grandiosas. Fuas Bandeiras conhecia-a, fazia-lhe ofertas de valor e contava-se que Campelo sempre a interessava nos seus reconhecimentos mal sucedidos.

Murmuravam nas confeitarias uma curiosa história de que a "francesa" fora eixo. Já vivia em "collage" com Macieira, nesse tempo deputado, fraco de recursos, mal podendo sustentar as duas casas com o subsídio. O seu fraco era jogar pôquer e, nas rodas de pôquer, conhecera Fuas Bandeira, com quem travara amizade. Os dois aos poucos, firmaram relações solidamente e jogavam clandestinamente de parceirada. Um belo dia, o amigo dissera-lhe:

— Sabe de uma coisa? O Francisco tirou a sorte grande, quinhentos contos.

— Não o conheço.

— É um rapaz inteligente, mas pouco prático... Tem que cair...

— Vai perder tudo?

— Vai, e é pena que não aproveitemos algum... Se houvesse um meio...

— Isso é bom para as mulheres, que vão aproveitar.

— Para elas só, não vão. Os outros malandros entram... Há um meio...

— Qual é?

— Não vives com a Arlete? - perguntou Fuas.

— Que tem?

— Tira-a da pensão. Alugamos uma casa mobiliada e levamos o Francisco para jogar pôquer.

— Que pode ele perder?

— Tudo, se quisermos.

— Se ele quiser namorar a Arlete?

— Deixa, e mesmo isso entra no plano.

— Ele descobre.

— Qual! Não tem prática dessas coisas e confia em todos.

A coisa assim foi feita. Alugaram uma casa mobiliada luxuosamente. Arlete figurou como amante de um terceiro sócio e o ingênuo perdeu no jogo bem a metade da sorte grande, enquanto bebia o olhar da francesa. O lucro foi distribuído proporcionalmente com todo o rigor comercial.

Macieira prosperou e foi fazendo a sua carreira na política e nos arredores da política: gorjetas em concessões, advocacias duvidosas e o mais semelhante. Essa pequena anedota poucos conhecem, mas a sua ligação era quase pública.

Arlete ficou na vida do senador como um amuleto de felicidade; e a família a teve do mesmo modo, conformando-se a mulher com a existência da francesa nos hábitos do marido.

Macieira era insinuante, jeitoso, tenaz e prestativo e, com a patrulha avançada de Arlete, conseguia tirar da política o que esta não devia dar.

O caso da venda da Estrada de Ferro interessava à francesa, mas Macieira que pedira votos não dava a transparecer nenhum interesse. De resto, havia tantos empenhados no caso que não valia a pena gastar energia. Arlete, porém, não pensava do mesmo modo e não cessava, com o auxílio de Fuas Bandeiras, de trabalhar para que o Brasil se educasse na iniciativa particular, como dizia o jornalista.

Quem tivesse negócios, pretensões, requerimentos no Congresso, dentre as muitas outras influências decisivas, procurava logo, a amante de Macieira. Os seus conhecimentos e relações se estendiam nas várias camadas sociais e recebia na rua cumprimentos discretos de pessoas importantes. Nem sempre o seu trabalho era remunerado; muitas vezes interessava-se por compaixão e por bondade.

Morava no Flamengo e tinha uma casa principesca e risonha, que saltava de um jardim bem tosado, olhando Jurujuba do outro lado. Recebia, dava pequenas festas, jogava-se em sua casa e muita moça de boa família teve desejos de lhe ver as salas.

Gostava do interior, sabia encantá-lo e aos criados, educava com um jeito peculiar, de modo a tê-los durante anos, sem queixas nem ralhos.

Nas salas do seu "chalet", muita cartada política foi jogada, muita traição foi combinada com segurança, pois, em geral, as suas visitas femininas eram de atrizes, cantoras e damas de semelhante jaez, estrangeiras em geral, tidas por doidivanas e mais do que doidivanas, sem nenhum interesse pelos destinos do país.

Fuas e Macieira, com outros parceiros, entre os quais o mais assíduo era o major Crótalo, formavam lá, quase diariamente uma mesa de pôquer, onde se jogavam contos de réis; e foi em uma dessas partidas que se decidiu adotar Bentes como "belier" contra a chapeada teimosia em que estava o "Velho" na candidatura de Xisto.

Fuas, até, interrompeu a partida, redigiu o manifesto ali mesmo, sobre uma secretária minúscula e catita de mulher "chic", leu-o a Bentes, foi aprovado e, ao dia seguinte, publicado num estouro.

Arlete estimou que a sua casa se tivesse assim se tornado histórica e bendisse as conseqüências do fato, porquanto estava em oposição declarada, desde o veto ao projeto da venda da Estrada de Mato Grosso.

As suas esperanças todas estavam no governo de Bentes, mas, durante o interregno que corria, ela não deixou de trabalhar em prol da iniciativa pública e particular.

Macieira a tinha deixado naquela manhã, sem mesmo almoçar, quando ela foi interrompida na leitura de uma brochura francesa. Anunciaram-lhe a visita de uma senhora. Foi vê-la e logo gostou daquela senhora bem apessoada, elegante, com uns sedutores olhos negros, moça ainda, que ficara de pé com tanto donaire. A visita também gostou daquela velha francesa que se movia na sua sala com tanto esquecimento de que era dela mesmo.

— Minha senhora, eu sou a viúva do D. Lopo Xavier. Não sei se conheces?

— Conheci... Juiz, não era?

— Sim, minha senhora; e escreveu muito.

— Eu sei... Ouvi falar... Era homem de talento.

— Era, minha senhora; e, há quase um ano, requeri ao Congresso uma pensão. A senhora sabe; o montepio é pequeno... não deixou nada... Como a senhora tem alguns conhecimentos, eu...

— Não tenho lá grandes - disse a francesa sorrindo manso - entretanto pedirei aos meus amigos...

— Se a senhora quiser, sou pobre...

— Sim... Sim... Eu me interesso, minha senhora. Descanse.

— Então posso contar com a boa vontade da senhora?

— Pode.

A viúva Lopo Xavier pôs-se de pé com todo donaire, ajustou a blusa na cintura e saiu agradecendo muito a bondade e o interesse de Mme. Arlete.

Lucrécio Barba-de-Bode sabia perfeitamente do valimento dessa dama no ânimo de vários políticos, mas não quis incomodá-la, visto poder pedir diretamente a Macieira . O senador não gostaria que o fizesse e ele, cuidadoso em manter a boa vontade dos enfastiados, não os contrariava nessas pequenas coisas de temperamento.

Como Lucrécio não pudesse ir ao dia seguinte à casa de Macieira, Bogoloff foi só. Lucrécio tinha passado toda a noite, com outros de sua dedicação a impedir que fossem afixados pelas esquinas da cidade, boletins em que se diziam duras verdades sobre Bentes; e, tendo falado a respeito com Macieira, o russo podia procurá-lo sem susto.

Foi recebido Bogoloff no gabinete de trabalho da casa de Santa Teresa. Havia uma mesa rica, cheia de gavetas, com incrustações de marfim e sobre ela, além de objetos próprios para escrever, um ou outro bronze. A mesa era trabalho antigo e de gosto. Havia também um armário envidraçado, meio cheio de livros. A obra menos conhecida que lá havia era a História dos Girondinos , por Lamartine, uma tradução portuguesa da casa David Corazzi. Além desta encontravam-se no armário o César Cantu, alguns trabalhos de Direito Público Brasileiro e publicações oficiais. Não havia senão livros em português.

Sentado a uma "voltaire", fumando preguiçosamente, Macieira parecia extremamente concentrado e recebeu o russo, não sem polidez, mas apreensivo, com poucas palavras, como se não quisesse perder o fio das idéias.

Temendo perturbar a marcha dos pensamentos daquele guia de povos, após os cumprimentos, Bogoloff sentou-se e encolheu-se em respeitosa reserva. Certamente, Macieira imaginava coisas poderosíssimas para a grandeza do Brasil; certamente pensava em algum problema nacional, atinente à agricultura, à indústria, ou mesmo às relações internacionais do país; certamente, naquele instante, passavam no seu pensamento as condições de felicidade de toda uma população; e o russo calara-se para que suas parvas palavras não fossem de qualquer forma estragar a maravilhosa solução que o senador iria encontrar. Ficou arrependido de tê-lo procurado. Olhou durante alguns minutos os dois quadros que havia na sala. Eram duas oleogravuras baratas em molduras caras, representando o "Nascente" e o "Poente" no mar alto.

O senador tirou uma larga fumaça do charuto e a sua fisionomia fechada perdeu ao r de concentração. Disse então:

— Ah! Doutor! Esta política!

Repetiu depois de algum tempo, com uma lamentável expressão de desânimo, senão de desgosto, abanando a cabeça.

— Esta política! Esta política!

O antigo anarquista que Bogoloff era, sentiu no momento uma certa admiração pelos homens de Estado. Com a visão que lhe veio ali das suas responsabilidades, das suas dificuldades, da necessidade do emprego, de inteligência e imaginação que necessitavam as medidas que punham em prática, veio também por eles um respeito que nunca se tinha aninhado no russo libertário. Sinceramente, disse-lhe este:

— O senador tem razão em estar preocupado, mas um homem dos seus recursos não pode desanimar. As questões mais difíceis se resolvem à custa de muito pensar nelas. Se não for hoje, será amanhã ou depois e o povo brasileiro não perde por esperar uns dias.

Macieira não lhe respondeu logo. Levantou-se da cadeira e respirou com força como se desde muito a preocupação não o deixasse respirar. Era alto e pesado de corpo, tendo uma cabeça redonda e os cabelos embranqueciam devagar. Foi até a janela, atirou fora a ponta do charuto e respondeu:

— Ah! Bogoloff! Se fosse só o povo, não me preocupava tanto. Ele está habituado a esperar; mas se trata do Chiquinho e as eleições estão na porta.

Sentou-se, calou-se um pouco e o russo não encontrou nada que lhe dizer. Após instantes, continuou, com voz lastimosa:

— Pobre Chiquinho! Tão amigo, tão dedicado, tão leal! Quer ser deputado e eu lhe prometi que o faria; mas não sei por onde! Pelo meu Estado não é possível, o Chico diz que a vaga que vai haver é para o Nunes. O Chico é muito caprichoso e eu não gosto de contrariá-lo. Já falei ao Machado, mas mostrou-me a impossibilidade de servir-me. A vaga do Castrioto, eleito governador, vai para o irmão do Bentes. O Nogueira disse-me que ia ver... Ah! Bogoloff! esta política é uma burla. Sirvo todos e, quando quero que me sirvam, não me atendem.

E estendeu os braços para o crucifixo.

Bogoloff esteve muito tempo sem nada dizer, apesar de saber que não é conveniente calar-se diante dos poderosos. O silêncio é sempre interpretado mal. Ele conhecia muito pouco o Chiquinho, ou, antes: o Dr. Francisco Cotiassu, bacharel em Direito, com um emprego qualquer, e mais nada. Assim mesmo e sabendo o motivo da pressa em fazê-lo deputado, adiantou:

— Talvez ele pudesse esperar...

O senador acudiu quase irritado:

— Esperar! Como? Pois se vai casar-se brevemente, como pode esperar? A fortuna dele é insignificante e o emprego que tem rende a ninharia de novecentos mil réis. Preciso fazê-lo deputado quanto antes... Havemos de ver.

A confiança trouxe-lhe o desejo de atender ao estrangeiro.

— Você quer um lugar, onde?

— No Fomento.

— Entende de alguma coisa?

— Entendo. Tenho até idéias especiais sobre a pecuária.

— Quais?

— Penso em criar porcos do tamanho de bois e bois que cheguem a elefantes.

— É maravilhoso! Como você procede?

— É uma questão de alimentação. As plastidas... Enfim: processos bioquímicos, já experimentados em outras partes, que aperfeiçoei.

— Bem, Doutor. Vou recomendar você ao Xandu e lá você expõe as suas idéias.

Redigiu a carta com grande desembaraço e segurança; e Bogoloff saiu com uma recomendação eloqüente e persuasiva. No mesmo dia não procurou Costale, o Xandu; Bogoloff quis degustar a maravilhosa impressão que recebera da meditação política. Se fosse ao ministério talvez ela se obliterasse. procurou-o ao dia seguinte na sua catita Secretaria de Estado.

Esperou um pouco na ante-sala com pretensões a luxo e majestade. Havia um busto de Floriano e pelas paredes, em telas médias, um prematuro retrato de Bentes e o de uma senhora, D. Anita Garibaldi, certamente uma glória italiana. Uma coleção de litografias ocupava grande parte de uma parede; eram os retratos dos ministros passados.

Pelas cadeiras, havia aquela fisionomias tristes das ante-salas dos ministérios. Pobres e remediados, pretos e brancos, mulheres e crianças, moços e velhos, todos compungidos, incertos, esperavam a graça do Estado quase divina. Uma atmosfera de angústia.

Os contínuos e oficiais de gabinete passavam sem pousar o olhar sobre nenhum dos circunstantes; gordos e bem trajados senhores surgiam por debaixo dos reposteiros e atravessavam a sala sorridentes; as campainhas soavam constantemente. Mme. Forfaible ondulante, encerrada no seu vestido impecável, apareceu por entre um reposteiro e foi acompanhada até a porta de saída, por um secretário do ministro.

Bogoloff pode ouvir que ela dizia:

— Os paisanos são muito felizes; nós não temos disso... Meu marido...

E afastou-se não deixando que o russo pudesse ouvir o resto da frase. Bogoloff não estava mal vestido. Tinha adquirido uma sobrecasaca de sarja preta, um colete e calça da mesma fazenda, trazia a barba curta e usava chapéu de feltro. Não se separava do chapéu de chuva; e julgou sempre que esse objeto dá aos brasileiros um aspecto de respeito e ponderação. Começou a perceber que não seria tão cedo atendido e fez sua corte ao contínuo porteiro. Já desanimava, quando os seus olhos deram com Inácio Costa.

— Oh! Doutor! Que há?

— Precisava falar a S. Exa.

— Pois não... Entre! Estamos na democracia; os conselheiros já se foram. Estou no gabinete deste ontem.

O contínuo afastou-se; eles passaram e Bogoloff foi à presença de Xandu;

Sentava-se o ministro a uma mesa alta, ampla e torneada, inteiramente coberta de papéis, de livros. Nas suas costas, ainda um retrato de Floriano e, ao lado, a uma mesa menor, o secretário que conversava com um oficial do exército.

Acolheu-o Xandu com uma certa frieza, mas, desde que leu a carta, fez-se prazenteiro e amável:

— Oh, Doutor! Desculpe-me! Desculpe-me! Já me havia esquecido do senhor... Não sabe como ando atarefado. Hoje já assinei 1.557 decretos... Sobre tudo! Neste país está tudo por fazer! Tudo! Em dias, tenho feito mais que todos os governos deste país! Já assinei 2.725.852 decretos, 78.345 regulamentos, 1.725.384.671 avisos... Um trabalho insano! Fala inglês?

— Não, Excelência.

— Eu falo. Desde que o falei com desembaraço, as minhas faculdades mudaram. Penso em inglês, daí me veio uma salutar reação que me interessou todo inteiro. Gosto muito de inglês, com sotaque americano. Experimente... Nascimento! (gritou para o secretário) já temos aquele regulamento sobre a "postura" das galinhas?

Respondeu-lhe o secretário e voltou-se para o russo febril, nervoso:

— O que nos falta é o frio. Ah! A sua Rússia! Eu se quero ser sempre ativo, tomo todo o dia um banho de frio. Sabe como? Tenho em casa uma câmara frigorífica, 8 graus abaixo de zero, onde me meto todas as manhãs. Precisamos de atividade e só o frio nos pode dar. Penso em instalar grandes câmaras frigoríficas nas escolas, para dar atividade aos nossos rapazes. O frio é o elemento essencial às civilizações... Mas, emendou a alta autoridade, ainda não lhe falei sobre seus planos. Macieira fala-me aqui das suas idéias sobre a pecuária. Quais são?

— São simples. Por meio de uma alimentação adequada consigo porcos do tamanho de bois e bois do tamanho de elefantes.

— Como? Mas, como Doutor?!

— Os meus processos são baseados na bioquímica e já foram experimentados alhures. O grande químico e fisiologista inglês Wells escreveu algo a respeito. Não conhece?

— Não.

— H. G. Wells, uma grande sábio inglês de reputação universal, cujas obras estão revolucionando a ciência.

— Não tenho notícia... É uma falha... O senhor tem livros dele?

— Tenho.

— Há de mos emprestar. Mas... de forma que boi dos seus, é?

— São quatro, Excelência. Veja só Vossa Excelência que vantagem não traz.

— Magnífico! É um portento o seu método de criar. E o tempo de crescimento, Doutor?

— O comum.

— É uma maravilha. No mesmo tempo, com um mesmo animal, o senhor obtém efetivamente quatro?

— É verdade.

— Quatro! Estás ouvindo, Nascimento?

O secretário respondeu ao Ministro e continuou mergulhado no expediente. O oficial tinha partido. Um contínuo veio dizer-lhe qualquer coisa. O ministro mandou-o ao secretário.

— Doutor, o senhor é verdadeiramente mágico. Por que não me disse isto há mais tempo?

— Já lhe havia dito na casa do senador Neves Cogominho.

— Ah! É verdade!

— Não se cifram nisso, Excelência, as vantagens dos meus métodos.

— Ainda tem outros?

— Tenho, como não?

— Quais?

— Ainda consigo a completa extração dos ossos do meu gado.

— Completa?

— É um modo de dizer. Reduzo-os ao mínimo, quando chegar a época da matança, e os transformo em carne no animal vivo.

— Que gado lhe serve?

— Qualquer! Suíço, francês, inglês... Não faço questão; o essencial é haver boi.

— E os porcos?

— Também! Qualquer!

— Extraordinário! Estás ouvindo, Nascimento? - gritou para o secretário.

O acolhimento que dispensou aos seus projetos o excelentíssimo senhor ministro do Fomento Nacional, animou o russo a improvisar novos processos que levantassem a pecuária no Brasil. Xandu, com o cotovelo direito sobre a mesa e a mão respectiva na testa, considerava Bogoloff com espanto e enternecido agradecimento.

— Ah! Doutor! - disse ele. - O senhor vai dar uma glória imortal ao meu ministério.

— Tudo isso, Excelência, é fruto de longos e acurados estudos.

Xandu continuava a olhar embevecido o russo admirável; e este aduziu com toda convicção.

— Por meio da fecundação artificial, Excelência, injetando germes de uma em outra espécie, consigo cabritos que são ao mesmo tempo carneiros e porcos que são cabritos ou carneiros, à vontade.

Xandu mudou de posição, recostou-se na cadeira; e, brincando com o monóculo, disse:

— Singular! O Doutor vai fazer uma revolução nos métodos de criar! Não haverá objeções quanto à possibilidade, à viabilidade?

— Nenhuma, Excelência. Lido com as últimas descobertas da ciência e a ciência é infalível.

— Vai ser uma revolução!...

— É a mesma revolução que a química fez na agricultura. Penso assim há muitos anos, mas não me tem sido possível experimentar os meus processos por falta de meios; entretanto, em pequena escala já fiz.

— O quê?

— Uma barata chegar ao tamanho de um rato.

— Oh!... mas não tem utilidade.

— Não há dúvida. Uma experiência ao meu alcance, mas logo que tenha meios...

— Não seja essa a dúvida. Enquanto eu for ministro, não lhe faltarão. O governo tem muito prazer em ajudar todas as tentativas nobres e fecundas para o levantamento das indústrias agrícolas.

— Agradeço muito e creia-me que ensaiarei outros planos. Tenho outras idéias.

— Outros? - fez em resposta o Xandu.

— É verdade. Estudei um método de criar peixes em seco.

— Milagroso! Mas ficam peixes?

— Ficam... A ciência não faz milagres. A coisa é simples. Toda a vida veio do mar, e, devido ao resfriamento dos mares e à sua concentração salina, nas épocas geológicas, alguns dos seus habitantes foram obrigados a sair para a terra e nela criarem internamente, para a vida de suas células, meios térmicos e salinos iguais àqueles em que elas viviam nos mares, de modo a continuar perfeitamente a vida que tinham. Procedo artificialmente da forma que a cega natureza procedeu, eliminando, porém, o mais possível o fator tempo, isto é: provoco o organismo do peixe a criar para a sua célula um meio salino e térmico igual àquele que ele tinha no mar.

— É engenhoso!

— Perfeitamente científico.

Xandu esteve a pensar, a considerar o tempo perdido, olhou o russo insistentemente por detrás do monóculo e disse:

— Não sabe o Doutor como me causa admiração o arrojo de suas idéias. São originais e engenhosas e o que tisna um pouco essa minha admiração é que elas não partam de um nacional. Não sei, meu caro Doutor, como é que nós não temos desses arrojos! Vivemos terra à terra, sempre presos à rotina! Pode ir descansado que a República vai aproveitar as suas idéias que hão de enriquecer a pátria.

Ergueu-se e trouxe Bogoloff até a porta do gabinete, com seu passo de reumático.

Dentro de dias Gregory Petrovich Bologoff era nomeado diretor da Pecuária Nacional.